sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

São Miguel Arcanjo

Talvez algumas pessoas pensem que trabalhar com os anjos é alguma coisa distante demais para nossa imperfeita humanidade. Mas não é. Os anjos - bem como toda hierarquia angelical - são o elo entre o mundo manifesto e imanifesto, a ponte entre Deus e os homens, entre a Luz divina e a matéria.

Deus é a Mente Criadora, O Grande Vazio, O Ilimitado, O Grande Arquiteto do Universo. Para criar as muitas dimensões do mundo manifesto, Deus delegou funções aos Anjos Criadores, os Elohim. Toda uma hierarquia divina existe para este fim, para a criação, manutenção e proteção da Luz em muitos níveis, ou mundos. Como também para a educação e evolução em todas as dimensões e de todos os seres do universo.

E desde os tempos bíblicos ouvimos falar do Arcanjo Miguel, de sua luta contra o anjo rebelde e seus seguidores, a fim de manter a ordem divina no universo. São Miguel tornou-se o anjo guerreiro, Aquele que defende o universo das forças do mal.

Os anjos e arcanjos trabalham pelo evolução dos mundos, e do nosso pequeno mundo. Em um nível de consciência superior ao nosso, eles nos amam, e desejam que nos iluminemos e possamos evoluir e crecer em nossa consciência. Eles realmente desejam nosso bem, e para isso basta que chamemos por eles, que peçamos por divina intervenção.

E quanto mais trabalho com São Miguel, mais sou grata, mais compreendo que de alguma forma sou também um instrumento a pedir e a trabalhar pela evolução planetária. É preciso que peçamos, que batamos à porta, para sermos atendidos. Então São Miguel vem ao nosso encontro, e nos veste com seu manto luminoso azul, a nos proteger de todo mal. Com sua espada reluzente ele nos defende, abre nosso caminho diante dos desafios e maldades manifestados neste mundo temporal.

A oração é sua, o desejo é o do coração, e que sejamos puros e busquemos a verdade! Então ao nosso lado teremos este belo anjo de luz azul , e só teremos a agradecer, e nosso desejo será também servir!

"Ó Glorioso Príncipe dos Exércitos Celestes, com sua espada cintilante afasta de mim todos os maus espíritos e livra-me de todo mal do mundo. Fazei de mim um mensageiro fiel da suprema verdade, hoje e sempre, e torna-me invisível para meus inimigos. Leva-me nas asas de teu amor e de teu poder para o trono de Deus. Amém!"

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A procura do "Ser"


Enveredamos pelo caminho espiritual, colhendo lindos buquês de flores perfumadas, e minha alma por vezes deseja permanecer neste jardim florido...

E o "ser" não tem nada a ver com a mente racional e analítica onde mora, se diverte e nos distrai o ego. Mas como abdicar dele? Então eu teria que fugir de todos a quem amo, quem sabe para o monte Athos, enconder-me nas cavernas, como faz o sábio de cabelos e barbas desgrenhadas que lá vive. Terei que beber a água da chuva e dos regatos, alimentar-me do prana!

Ou quem sabe encontrar Babagi, o mestre dos mestres iogues de Yogananda, nas montanhas geladas do Himalaia, em seus anos mais que centenários, vestido só com uma tanga...

Enfim, deixar o ego é deixar este mundo belo e louco, no qual vivemos entre o absurdo e a graça, como nos diria Jean-Yves. E quem está pronto para isso? Não eu, que já me demorei tanto a aprender a amar esta vida neste planetinha lindo e azul, perdido na poeira cósmica das galáxias...
Fico por aqui, a pensar com meus botões, nele mesmo, no ego (afinal: "penso, logo existo!", é o ego quem diz!); e já que com ele não posso lutar, prometo ficar de "olho", com o olho da consciência, a não deixar que me iluda, que muito me envaideça, que critique ou que julgue quem quer que seja...
E quando com o ego (o do outro!) me cutucarem com a vara curta, desta vez com ego (o meu!) não responderei. Tratarei de entender que é o ego do mundo que toma corpo e voz no outro. Que não somemos mais dor a dor, nem mais ego ao ego, e assim ele não precisa se fortalecer nem se defender, nem se tornar cada vez maior no mundo... É que precisamos do espaço, do silêncio, da consciência, para que floresçam as flores da alma, do Self!

No mais, posso sentir aqui dentro pulsar, o "ser", a alegria, o amor, a delicadeza, a deusa desperta... Caminhar no mundo, aguardando talvez somente um momento, onde toda beleza, onde todas as flores, onde todo o coração possa reinar!
Até um dia glorioso de Luz! Paz a todos!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Encontro com Jean-Yves Leloup em 7, 8 e 9 de novembro

Toda manhã
busque a centelha, a fagulha, o lampejo
que faz arder em ti o dia...
Não nascemos para ver o dia onde aparecem as coisas,
muitos morrem sem jamais terem "visto o dia".
J. Y. L.

Jean-Yves Leloup é doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia. Escritor de mais de cinquenta livros, entre eles comentou e traduziu os evangelhos de Tomé, Maria Madalena, Felipe e João; conferencista em vários países, padre dominicano e depois padre ortodoxo.
Jean-Yves mais uma vez nos brindou com suas palavras de sabedoria, desta vez nos trazendo as flores do Tao, do Logos e das palavras de Pierre Weil, ausente fisicamente mas presente em todos os corações. Ao seu lado Roberto Crema e Karin de Guise.



sábado, 18 de outubro de 2008

Jean-Yves Leloup, morte e vida


Ainda jovem Jean-Yves havia se tornado um andarilho à procura de uma espiritualidade que desse sentido e razão à vida, da qual já não tinha mais apego. Foi para a Índia, e sem saber mais como, vivendo e andando à esmo, foi parar na Turquia. Em Istambul caiu gravemente doente, disseram que foi envenenamento, ou de certo por que mal comia, e o que comia eram os restos que catava na feira, e a água que bebia era muitas vezes suja e contaminada.

Encontraram-no na rua, inconsciente. Vendo-o um estrangeiro, mesmo que sem nenhum documento, levaram-no para um hospital onde trabalhavam médicos e enfermeiros franceses. O eletroencefalograma e os exames de rotina diagnosticaram-no morto, e assim ele foi para uma câmara fria aguardar o momento do enterro.

Tudo o que se lembra é de um vazio, um nada, mas num estado de plenitude que nunca mais conheceu igual. Em outro espaço/tempo que este que conhecemos, ele se recorda que desejara por todos os meios morrer, escapar da vida sem sentido que vivia, mas nesta hora em que ela - a morte - chegava, ele disse "não". Não, com todas as forças possíveis de seu corpo, de seu psiquismo. E cheio de medo, mais sofria. Mas diante da dor intolerável, da negação impossível, ele desistiu de lutar, e consentiu, e aceitou morrer.

No instante do sim, a dor o deixou, e sentiu-se leve. Como um pássaro em uma gaiola que abre suas asas para alçar o vôo. A consciência viva, luminosa, percebendo-se dentro e fora do corpo. E o pássaro alça seu vôo, liberta-se de sua gaiola, e alma de seu corpo...

E depois? Foi como o vôo saindo da ave, o vôo livre se unindo ao espaço... Não havia mais consciência de coisa alguma. Um "nada" que continha o vôo, o pássaro e a gaiola. A vastidão que abrangia a consciência, a alma, o corpo...

Isso é tudo que ele pode dizer que se passou, neste tempo - ou fora deste -, em que preparavam seu enterro. Então alguém gritou: "Ele não está morto!", e vieram os procedimentos desagradáveis, tubos, soros, injeções para reanimá-lo. O vôo desceu ao pássaro, o pássaro a sua gaiola, e ele voltou a gemer.

Rapidamente se recuperou, e quando lhe perguntaram quem pagaria a conta, e se ele tinha família e de onde vinha, ele fez-se de mudo. Por fim lhe mostraram o caminho da rua, e ele viu-se de novo no calor de Istambul.

Seus passos o conduziram à Mesquita Azul, e na luz azul que descia dos vitrais da cúpula ele podia sentir o vôo do pássaro, e disse a si mesmo: "É aqui a casa de Deus." Do outro lado da rua entrou na basílica de Santa Sofia, aviltada por séculos de mutilações, transformações, incêndios e reconstruções. Já ia sair quando deparou-se com um mosaico do Cristo, em seus olhos ele reconheceu novamente o pássaro e seu vôo, estava mais uma vez livre.

Em busca de mais informações sobre os mosaicos, mandaram-no ir ao patriarcado de Constantinopla. Lá ele encontrou um belo ancião tranquilamente recitando seu terço. Este parecia lhe aguardar, imediatamente dirigiu-se a Jean-Yves. Levou-o ao interior da igreja, diante de um ícone de Cristo, muito parecido com o mosaico. Rodeando o rosto do Cristo estavam escritas em grego: O hon.

_O que quer dizer?

_"Aquele que É" _ respondeu o ancião. O "Eu Sou", o nome de Deus. Jesus retomou este nome santo.

O "Eu Sou" tocou seu coração em cheio, Jean-Yves desmaiou. Reanimado ele pode falar com o ancião, e este lhe disse:

_ "Aquele que É" pode receber um corpo, pode ter um rosto, o ilimitado pode se manifestar em um forma, o infinito no finito, o incriado no criado. Deus e o homem não estão separados, você pode acreditar, está escrito.
Neste momento nasceu um novo homem, um peregrino nas muitas religiões, filosofias e conhecimentos, trazidas em suas palavras poéticas e profundas a confirmar a verdade que ele conheceu diante da morte: o Eu Sou.
adaptação do livro de Jean-Yves: O Absurdo e a Graça
Diante do olhar azul e amoroso de Jean-Yves, distribuído em profusão as centenas de pessoas que assistem sua missa campal, é possível contemplar o céu. Mas além deste céu é possível sentir o chamado do Cristo, estremecer diante deste olhar doce e verdadeiro, até que as lágrimas embotem nossos olhos, e tudo que temos então é um chamado: Eu Sou.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A crise e o crescimento espiritual


A manifestação humana permite que focalizemos nossos defeitos e imperfeições de um modo que não é possível em outras formas ou níveis de ser. No estado unificado de consciência, além da forma humana, sabemos que nossos defeitos são apenas partículas de poeira no luminoso manto do Ser. Somente na vida humana é que nossos defeitos assumem dimensões suficientemente grandes para poderem ser examinados e totalmente transformados. Precisamos enfocar nossas dificuldades e limitações, vê-las em pessoa, por assim dizer, para que elas recebam toda a nossa atenção e sejam bem recebidas na volta ao ser total.

Optamos por encarnar para conhecer intimamente a nossa condição humana. A tarefa de transformação é continuar optando por encarnar mais e mais partes de nós mesmos, expandir o que significa ser humano, corrigir os defeitos pela base. Enquanto estamos na forma humana podemos ativar tanto a natureza superior como a inferior. Os aspectos mais desenvolvidos têm as condições e o instrumental necessários para explorar e fazer aflorar os outros aspectos menos desenvolvidos, que por enquanto ainda não se manifestaram, e unir-se a eles.

O aspecto negativo encontrado dentro do eu pode ser acolhido, perdoado e libertado. A vitalidade essencial da energia negativa pode ser resgatada e integrada à consciência. Todo defeito reconhecido, toda defesa desmantelada e toda dor sentida e liberada dão poderosas reservas novas para criar uma vida voltada para novas direções positivas. Por outro lado, toda atitude negativa inconsciente, toda defesa mantida, toda dor negada tolhem a energia vital e limitam a consciência.
O crescimento espiritual exige que encaremos nosso lado negativo. Cada vez que adiamos este confronto, a manifestação da crise e das dificuldades na vida exterior aumenta.
A crise é uma tentativa da natureza - da legitimidade natural e cósmica do universo - de efetuar a mudança. Qualquer tipo de crise é uma tentativa de desintegrar as antigas estruturas de equilíbrio que se baseiam em falsas conclusões e no negativismo. Ela abala os modos de vida arraigados e estacionados para tornar possível o surgimento do novo. Ela dilacera e dissolve, o que é momentaneamente doloroso, porém sem isso a transformação é inconcebível.
A crise ajuda a deitar abaixo o antigo e criar espaço para o novo. Na verdade ela pode ser uma etapa do crescimento quando permitimos que suas lições e a turbulência que acarreta em nossa vida revele níveis mais profundos de distorções ocultas que demandam atenção e transformação.
O crescimento espiritual - o crescimento rumo à unificação de todos os nossos aspectos desarmônicos - não é apenas uma exigência premente no nosso atual estágio de evolução. O crescimento espiritual é o sentido e o propósito da vida humana sobre a Terra. A condição humana é um estado de evolução acelerada, de constante vir a ser, seres dotados de espírito e matéria, de autopercepção parcial e não completa, presos na incompletude inquieta e na divisão interior. Estamos em estado de desequilíbrio em busca do equilíbrio, de desunião e dualidade em evolução para a unidade.
A vida, o prazer, a unidade consigo mesmo e com os outros são as metas do plano cósmico de evolução.
do livro: "O Eu Sem Defesas"

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A mulher selvagem

Como uma trilha que atravessa a floresta e vai cada vez diminuindo mais até quando parece se reduzir a nada, a teoria psicológica tradicional esgota-se rápido demais para a mulher criativa, talentosa, profunda. A psicologia tradicional é muitas vezes lacônica ou totalmente omissa quanto a questões mais profundas importantes para as mulheres: o aspecto arquetípico, o intuitivo, o sexual e cíclico, as idades das mulheres, o jeito de ser mulher, a sabedoria da mulher, seu fogo criador. Foi isso o que direcionou meu trabalho sobre o arquétipo da Mulher Selvagem durante quase duas décadas.

Chamo-a de Mulher Selvagem porque essas exatas palavras, mulher e selvagem, criam a "batida à porta da psique profunda da mulher". Significa usar palavras para obter a abertura de uma passagem. Não importa a cultura que influencia a mulher, ela compreende as palavras mulher e selvagem intuitivamente.

Quando as mulheres ouvem essas palavras, um lembrança muito antiga é acionada, voltando a ter vida. Trata-se da lembrança do nosso parentesco absoluto, inegável e irrevogável com o feminino selvagem, um relacionamento que pode ter se tornado espectral pela negligência, que pode ter sido soterrado pelo excesso de domesticação, proscrito pela cultura que nos cerca ou simplesmente não ser mais compreendido. Podemos ter-nos esquecido do seu nome, podemos não atender quando ela chama o nosso; mas na nossa medula nós a conhecemos e sentimos sua falta. Sabemos que ela nos pertence; bem como nós a ela.

Há ocasiões em que vivenciamos sua presença, mesmo que transitoriamente, e ficamos loucas de vontade de continuar. Costumamos sentir sua presença através de cenas de rara beleza, ou através dos sons, da música que faz vibrar o esterno e que anima o coração. Ela chega com o tambor, o assobio, com a palavra escrita e falada. Às vezes uma palavra, frase, poema ou história soa tão bem, que faz com que nos lembremos da substância da qual somos feitas e do lugar que é nosso verdadeiro lar.

São esses vislumbres fugazes, originados tanto da beleza quanto da perda, que nos deixam tão desoladas, tão agitadas, tão ansiosas que acabamos por seguir nossa natureza selvagem. É então que saltamos floresta adentro, em meio ao deserto ou à neve, e corremos muito, em busca de uma pista, um sinal de que ela ainda está viva, de que não perdemos nossa oportunidade. E, quando farejamos seu rastro, nada nos irá fazer parar, o mundo pode parar, mas nós não vamos mais prosseguir sem ela.

Uma vez que as mulheres a tenham perdido e a tenham recuperado, elas lutarão com garra para mantê-la, pois com ela suas vidas criativas florescem; seus relacionamentos adquirem significado, profundidade e saúde; seus ciclos de sexualidade, criatividade, trabalho e diversão são restabelecidos; elas deixam de ser alvos para as atividades predatórias dos outros.

Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos interior e exterior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem, a realidade desse relacionamento transparece nelas.

Portanto, o termo selvagem neste contexto não é usado em seu sentido pejorativo de algo fora de controle, mas em seu sentido original, de viver uma vida natural, em que a criatura tenha uma integridade inata e limites saudáveis.

Quando perdemos contato com a psique instintiva, vivemos num estado de destruição parcial, e as imagens e poderes que são natura s à mulher não têm condições de pleno desenvolvimento. Quando são cortados os vínculos de uma mulher com sua fonte de origem, ela fica esterilizada, e seus instintos e ciclos naturais são perdidos, em virtude de uma subordinação à cultura, ao intelecto ou ao ego - dela própria ou de outros.

A Mulher Selvagem é a a saúde para todas as mulheres. Sem ela, a psicologia feminina não faz sentido. Essa mulher não-domesticada é o protótipo de mulher... Não importa a cultura, a época, a política, ela é sempre a mesma, ela é o que é; e é um ser inteiro.

Por mais que seja proibida, silenciada, podada, depreciada, ela volta à superfície nas mulheres, de tal forma que mesmo a mulher mais tranquila, mais contida, guarda um canto secreto para a Mulher Selvagem. Mesmo a mulher presa com a máxima segurança reserva um lugar para o seu self selvagem, pois ela intuitivamente sabe que um dia haverá uma saída.

do livro "Mulheres que Correm com os Lobos".

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Corpo

Na psique instintiva, o corpo é considerado um sensor, uma rede de informações, um mensageiro com uma infinidade de sistemas de comunicação - sejam do sistema físico, bem como o emocional e o intuitivo. No mundo imaginário, o corpo é um veículo poderoso, um espírito que vive conosco, uma oração de vida nos seus próprios méritos.

O corpo usa sua pele, suas fáscia e sua carne mais profunda para registrar tudo que ocorre com ele. Como a Pedra de Rosetta, para aqueles que sabem decifrá-lo, o corpo é um registro vivo de vida transmitida, de vida levada, de esperança de vida e de cura. Seu valor está na sua capacidade expressiva para registrar reações imediatas, para ter sentimentos profundos, para pressentir.

O corpo é um ser multilíngue. Ele fala através da cor e da temperatura, do rubor do reconhecimento, do brilho do amor, das cinzas da dor, do calor da excitação, da frieza da falta de convicção. Ele fala através do bailado ínfimo e constante, às vezes oscilante, às vezes agitado, às vezes trêmulo. Ele fala com o salto do coração, a queda do ânimo, o vazio no centro e com a esperança que cresce.

O corpo se lembra, os ossos se lembram, as articulações se lembram. A memória se aloja em imagens e sensações nas próprias células. Como um esponja cheia de água, em qualquer lugar que a carne seja pressionada, torcida ou mesmo tocada com leveza, pode jorrar dali uma recordação.

Limitar a beleza e o valor do corpo a qualquer coisa inferior a essa magnificência é forçar o corpo a viver sem seu espírito de direito, sem sua forma legítima, seu direito ao regozijo. Ser considerado feia ou inaceitável porque nossa beleza está fora dos padrões atuais fere profundamente a alegria natural que pertence à natureza instintiva.

Extrair grande prazer de um mundo repleto de muitas espécies de beleza é uma alegria na vida à qual todas as mulheres fazem jus. Defender apenas um tipo de beleza é de certo modo não observar a natureza.

Há quem diga que a alma anima o corpo. No entanto, e se resolvêssemos imaginar por um instante que é o corpo que anima a alma, que a ajuda a se adaptar à vida concreta, que analisa e traduz, que fornece o papel em branco, a tinta e a pena com os quais a alma pode escrever nas nossas vidas? Desejamos passar a vida inteira permitindo que os outros depreciem nossos corpos, julguem-nos, considerem-nos defeituosos? Será que temos força suficiente para renegar o pensamento geral e prestar atenção, com profundidade e sinceridade, ao nosso corpo como um ente poderoso e sagrado?

A sua finalidade é a de proteger, conter, apoiar e atiçar o espírito e alma em seu interior, a de ser um repositório para as recordações, a de nos encher de sensações - ou seja, o supremo alimento da psique. É a de nos provar que existimos, que estamos aqui, para nos dar uma ligação com a terra, para nos dar volume, peso. É errado pensar no corpo como um lugar que abandonamos para alçar vôo até o espírito. O corpo é o detonador dessas experiências. Sem o corpo não haveria a sensação de entrada em algo novo, de elevação, altura, leveza. Tudo isso provém do corpo. Ele é o lançador de foguetes. Na sua cápsula, a alma espia lá fora a misteriosa noite estrelada e se deslumbra...

No corpo, não existe nada que "devesse ser" de algum jeito. A questão não está no tamanho, no formato ou na idade. A questão está em saber se este corpo sente, se ele tem um vínculo adequado com o prazer, com o coração, com a alma, com o mundo instintivo. Ele tem alegria, felicidade? Ele consegue ao seu modo se movimentar, dançar, gingar, balançar, investir? É só isso o que importa, um corpo vivo, sensível, conectado com todas as partes do ser.

adaptação do livro "Mulheres que Correm com os Lobos"

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Os crop circles


Crop circles são os desenhos geométricos que aparecem subitamente em trigais, já observados esporadicamente na Inglaterra há alguns séculos. Passaram a ter mais evidência no início do século XX, principalmente a partir dos anos 80. Após 1990 suas formas tiveram aumento em tamanho e complexidade, chegando a ter em apenas uma figura, 402 círculos e 300 m de diâmetro.

Eles passaram a se apresentar não somente em plantações, mas em gramados, flores silvestres, juncos, terra, areia, neve, gelo, solo de florestas e até no topo de árvores; sendo comum seu aparecimento próximo a antigos monumentos e estruturas neolíticas, como Stonehenge e Avebury.

É um fenômeno mundial, ocorrendo principalmente na Inglaterra e em outros países da Europa, Estados Unidos, Canadá, Autrália, Rússia, Japão, Escandinávia, Israel e partes da África. Acontecem principalmente no verão, em média de 300 por ano, e já são pelo menos 6.000 formatos já documentados.

Nos estudos científicos realizados ficou demonstrado que a composição química do solo fica alterada, como que atingida por um raio. Cristais de silício puros são encontrados nas amostras, evidenciado que houve exposição a uma grande pressão ou calor extremo.

As plantas têm suas sementes e ciclo reprodutivo alterados, passível de acontecer quando são aquecidas em alta temperatura; indicando que os desenhos aparecem em segundos, ou os campos pegariam fogo. Mas a safra não sofre danos, e a plantação continua a crescer e amadurecer normalmente.

Seus desenhos baseiam-se na geometria sagrada e euclidiana, na matemática superior e em símbolos sagrados, combinando estes elementos de forma absolutamente incrível. São como códigos de conhecimento que unem simbologia espiritual e sagrada à física moderna. Sua mensagem não é de fácil compreensão, mas pode ser entendida por pessoas de origens e conhecimentos diferentes, demonstrando seu caráter universal. É comum encontrarmos nestes desenhos padrões derivados da Flor da Vida, sólidos platônicos e espirais.

Ao observá-los, ficamos encantados com sua beleza, mas além disso elas irradiam energias de harmonia e amor, e têm um poder transformador. Não sabemos sobre sua origem e sobre as inteligências que as criam, mas podemos perceber que estas fontes de amor e sabedoria desejam contactar conosco, abrir nossas mentes e corações para os mistérios e belezas do universo, e nos proporcionar as chaves para a compreensão do mundo que habitamos.

É bem verdade que já existem crop circles feitos por humanos, em geral com finalidade comercial. Embora também possam possuir grande perfeição geométrica, não são capazes de reproduzir os efeitos biológicos como os que surgem em acontecimentos misteriosos. Como eles surgem durante a madrugada, pesquisadores e curiosos ficam de plantão à noite em áreas de grande incidência de crop circles , mas tudo o que conseguem observar, se tiverem sorte, é o surgimento de luzes inexplicáveis no céu.
adaptação da revista "Trigueirinho"

Mitos e arquétipos


O estudo moderno de nossas escolas suprimiu o conhecimento da literatura grega e latina, bem como o estudo da Bíblia. A necessidade de nos adaptarmos a uma sociedade industrializada e de consumo pede que o ensino se restrinja ao necessário, voltado principalmente para a área tecnicista. A cadeira de Filosofia é vista com desconfiança e displicência por muitos alunos e colégios.

Perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada para por no lugar. As lendas, mitos e histórias provenientes do passado sempre deram sustentação à vida humana, ao pensamento que edificou civilizações e formou religiões através dos séculos; pois estes temas têm a ver com o que existe de mais grandioso na história da humanidade.

Os heróis e heroínas, os deuses e deusas, os homens e mulheres santificados traçam a trajetória humana, com seus desafios e dilemas interiores, nos mistérios com que a vida nos incita em nossa travessia. Sem estes sinais presentes nos antigos escritos temos que produzi-los por conta própria.

Aquilo que os seres humanos tem em comum se revela nos mitos. São histórias de nossa vida, de nossa busca pela verdade, da busca do sentido de vivermos. Mitos são pistas para as potencialidades espirituais, daquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente.

Hoje estamos empenhados em realizar feitos de objetivos materiais, de valor linear, que passam longe da vibração da vida. Nos esquecemos que o valor genuíno da vida é muito mais abrangente, e que demanda uma profunda viagem interior, rumo aos nossos mais profundos anseios e seus desafios.

Como trilhar um caminho diferente deste, que nos faz pessoas amorfas, preocupadas com a imagem exterior, com o valor das conquista materiais, que nos afasta de nosso universo interior de plenitude e harmonia?

Dentro de cada um houve e há uma criança curiosa. Podemos resgatar nosso potencial humano se explorarmos nossa curiosidade. Lendo sobre os mitos podemos encontrar um portal interior de novas descobertas. Lendo mitos de outros povos podemos encontrar enredos universais.

Nosso modo de vida, a Igreja e as demais religiões fizeram a separação entre matéria e espírito, entre a graça natural e a graça sobrenatural. Perdemos o sentido da transcendência, nossa natureza foi castrada, e assim nos afastamos da autenticidade da vida.

Os antigos rituais e cerimônias de iniciação têm sua base na mitologia dos povos, buscam delimitar etapas e preparar o iniciado para um novo desafio em sua vida, onde ele há de buscar coragem, humildade e fé interiores para prosseguir.
A busca da verdade essencial, no homem inteiro, holístico, moldou a herança mitológica, mesmo que permeada da imperfeição humana. É uma grande proeza, um ato heróico, o homem seguir seu verdadeiro destino, o dharma como chamam os hindus.

Somente os homens e mulheres que perseguem seu mais íntimo anseio ultrapassam seu pequeno ego, entram em uma nova dimensão da vida, presidida pelo Self, o eu interior, a integridade de si mesmo.

Ou seremos robôs, burocratas, escravos da vida exterior, sem sentido profundo para nossos dias. Um vazio interior revestido por bela casca, por realizações que o tempo tratará de destruir.

É preciso caminhar por onde nossa alma deseja, mesmo que diante da incompreensão humana. O heroísmo, a graça, a iluminação, a plena realização não pertencem somente aos seres mitológicos e bíblicos, são o destino de todos nós da raça humana.

Os mitos estimulam a tomada de consciência de nossa força interior. Quando menino você encara de um modo, com o tempo os mitos lhes dizem muito mais. Os mitos fazem parte do inconsciente coletivo, são infinitos em suas revelações, e presentes em muitos de nossos sonhos.


em "O Poder dos Mitos" de Joseph Campbell

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Kali

"Na Índia, uma das visões mais marcantes que tive foi diante da terrível imagem de Kali, a deusa hindu da destruição e da morte. Tinha o corpo nu e negro, os olhos esbugalhados, a língua imensa pendurada para fora da boca monstruosa. No pescoço um colar de caveiras e cabeças infantis, nas mãos um punhal e uma tesoura. Sobre os pés um cadáver.
Quase podia sentir o cheiro fétido de sangue dos sacrifícios de cabras e carneiros. Dizem que antigamente também crianças eram sacrificadas à deusa da natureza. Eu me deslocava a sua volta, mas seu olhar perseguia-me, e sua boca parecia baforar um hálito quente e putrefato.
É a mais temível das entidades hindus. Somente sua imagem já é aterrorizante. Demorei-me algum tempo a tentar decifrar-lhe os símbolos. O colar de caveiras e crianças de certo nos lembram de nossas muitas encarnações, muitas mortes e nascimentos para apagar o karma ruim, e livrar-nos da roda dos renascimentos.
O punhal significa a verdade, e esta é por vezes cruel, apunhala nosso coração e aos que nos cercam. A verdade choca o mundo, fere o orgulho, a vaidade e as crenças de nossa pequena humanidade... A tesoura corta nossas ilusões, tudo aquilo que acreditamos ser nosso tesouro sobre o mundo. A nudez nos fala que é preciso despir-nos de nosso ego, nosso egoísmo, nossas críticas, nossa mesquinharia, nossa vaidade e arrogância, para sermos verdadeiros conosco e com o mundo. O cadáver sob seus pés é nossa dor diante do caos, da loucura da vida, de tudo o que não compreendemos e nos faz sofrer.
Kali espelha nossa feiúra interior, tudo que escondemos de nós mesmos, que não queremos ver: nossas mazelas humanas, nossas sombras. A deusa horrenda nos coloca diante dos medos que negamos, das verdades que escondemos.
É uma deusa sem máscaras, ela não quer que vejamos o belo, mas tudo o que rejeitamos, o pior de nós mesmos. Ela nos conduz a uma viajem interior, mesmo que seja um pesadelo, para nos fazer atravessar o portal da morte: a morte em vida, a morte de nossos medos, mentiras, máscaras e covardias.
Estamos vivendo os anos de Kali, estamos sob sua energia transformadora e radical. As crises e o caos que vivemos, e vemos a nossa volta, é a oportunidade de atravessar este portal, para encontrar uma nova vida.
Conhecemos a luz atravessando a escuridão. Descobriremos o amor descobrindo primeiro onde ele não se encontra, viveremos a plenitude e a felicidade quando cansados dos caminhos que não chegam lá. Aprendemos pelos contrários, como diz a sabedoria budista: se não houvesse ilusão, não haveria iluminação!"

"...A morte é uma expressão de Kali. A guerra, as bombas, as metralhadoras, são seu hálito abrasador, são sua risada sinistra. A doença é sua maldade, a perversidade é seu gozo. Kali se manifesta no mundo para preparar-nos para a morte, para fazer morrer em nós o homem solitário, que crê e se vê isolado da dor do mundo, para nascer o homem puro, integrado, pleno.
Kali não é má, ela ri de nossa desgraça, de nossa pequeneza, para nos dizer: “Homem tolo, sofres por que acreditas na realidade que criastes! Tua realidade é muito maior, tudo mais são quimeras, é o caminho por onde hás de se libertar de maya, da ilusão do mundo e do teu coração! Teu destino é muito maior, vencer todas as mortes, para se unir no sopro d’Aquele que É!” Enquanto não acordar a humanidade, a espada de Kali decepará cabeças, fará ruir o mundo, imergirá a todos no caos..."
do livro Missão Terra
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Kali personifica a deusa Mãe em seu aspecto mais assustador, ela aqui é a Mãe Morte, a Baba Yaga, a Mãe Selvagem. Ela é representada por uma figura horrenda que precisa ser encarada, como a morte precisa ser encarada, e revelada. Então não se trata mais do fim, mas da passagem para um novo recomeço, o renascimento, a transfiguração; e com o fim de nossas dívidas contraídas e nossa iluminação: a ressureição da alma.
Ela representa também uma imagem arquetípica a qual podemos recorrer. Kali nos dá a força necessária para romper com o passado, com o que já morreu em nossas vidas, com nossa estagnação, com nossos maiores medos. Kali nos proporciona uma "fúria santa" e necessária para dar um passo corajoso em nossas vidas, romper com o que impede nosso crescimento e a realização dos diversos aspectos de nosso ser.
Mas veja bem, a fúria de Kali não é contra o mundo ou contra alguém em particular, esta ira se destina aos aspectos de nós que estão estagnados, amordaçados e engavetados em nossa psique, e que criaram uma realidade de limitações em nosso mundo objetivo. Nossa luta é sempre interior, o predador pode até se apresentar em nosso mundo real, mas antes ele existe dentro de nós.

Se você deseja chamar a força transformadora de Kali para sua vida, experimente ouvir uma música de guerra, como as do filme Gladiador, compostas por Hans Zimmer; deixe-se tomar pela música, ensaie seus passos de guerra, sua coreografia de vida e morte, se quiser dar mais realismo vista uma roupa selvagem, pinte o rosto, então urre, bata no peito, deixe-se tomar da ira necessária para sua transformação interior. Quando estiver exausto, caia no chão, deixe morrer tudo que é preciso morrer, nasça para um nova vida nesta mesma vida!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Criança interior


Conheça as necessidades do seu "lado criança"por Rosemeire Zago
Psicóloga clínica com abordagem junguiana

Você se lembra do brinquedo preferido que teve quando criança? E qual foi o momento mais feliz da sua infância? Quantas coisas você fazia quando criança que nem se lembra mais? Por onde anda aquele sentimento de alegria, espontaneidade, ânsia em crescer? Por que não resgatar o que era bom? A criança é uma das maiores fontes de alegria e ao resgatarmos está alegria, ficamos mais inspirados, criativos e menos estressados. Se a sua criança e criatividade ficaram adormecidas, desperte-as!

Todos nós temos dois aspectos em nossa personalidade: o adulto e a criança. A criança interior representa todas as nossas lembranças da infância, nossas emoções, nossos sonhos. É a fonte da criatividade, a promessa de futuro, o símbolo da transformação e crescimento. Contém os sentimentos, lembranças e vivências da infância. É a totalidade da psique, a parte genuína que perdemos quando adultos. É tudo o que foi abandonado e ao mesmo tempo, é divinamente poderosa. Ela é o ser, o sentir, o vivenciar e o viver. É pura sensibilidade. Está presente em nossas fantasias, devaneios, sonhos, desejos, imaginações, intuições e principalmente, em nossas emoções.

Também quando você brinca, tem prazer naquilo que faz. Está presente também na parte de nossa psique que vivencia a angústia e o sofrimento. Quando você chora, quem está chorando é sua criança; abandonada, sozinha. Quando você cria algo também é sua criança. Ela é nossa maior fonte de criatividade e busca do prazer. Mas infelizmente, muitos quando adultos, buscam esse prazer na fuga pela comida, no álcool, nas drogas, porém de forma destrutiva.

A característica de um adulto com sua criança interior abandonada é quando está quase sempre com medo de estar errado, é como se a criança que foi um dia, acreditasse ser essa a razão por ter sido rejeitada, abandonada. Primeiro por seus responsáveis e depois pelo seu próprio adulto.

Desenvolve assim a necessidade de ser perfeita, buscando aprovação dos outros por estar desconectada com quem realmente é. Perde-se a conexão com ela ainda criança, quando sentia que seus sentimentos não importavam, não se sentindo valorizada e amparada. Quando não sentia permissão para expressar sentimentos de tristeza, raiva, perda, frustração. As cobranças também contribuem para esse afastamento, principalmente as internas. Temos que produzir até quando estamos em férias ou na praia num sábado de sol, não se pode perder tempo. Não se admira mais a natureza, as coisas simples. O dinheiro se sobrepõe ao carinho, a atenção, ao amor.

O brinquedo do adulto

Os fracassos, as decepções, a culpa, a humilhação, tudo conduz à perda da criança. Para os adultos hoje brincar implica em ir a restaurantes, beber e ter poder. Brincar é muito diferente, é o que acontece espontâneo, não planejado, como quando você rola no chão fazendo cócegas no seu amor, quando você joga apenas para brincar, não ganhar. Quando há entrega, envolvimento. Você já observou uma criança brincando? Mas mesmo não tendo uma criança real, é possível brincar, se soltar.

A necessidade de encontrar a criança interior faz parte da jornada de todo ser humano que se encaminha na direção do autoconhecimento e de sua totalidade. Ninguém teve uma infância perfeita. Todos nós carregamos questões inconscientes que não foram resolvidas. Sabemos que 80 a 95% das pessoas não receberam atenção adequada quando criança, por isso o resgate da criança interior se torna a tarefa da maioria das pessoas. Afinal, o que há de mais rico e sagrado dentro de cada um de nós e que ninguém poderá nunca pegar, roubar, levar se não tiver nosso consentimento? Nossos sentimentos! E só chegamos nele através da Criança Interior.

É buscar o que lhe dá prazer, porém de uma forma saudável. É se permitir brincar, pular corda, jogar peão, jogo de botão, se sujar na terra, tudo aquilo que você fazia quando criança, mas com o objetivo de resgatar sentimentos como a alegria, espontaneidade, esperança e criatividade. As pessoas tendem a confundir ser criativo com ser infantil, inconveniente, e uma coisa não tem nada haver com a outra.

A criança é pura emoção. Quem não consegue ter controle das suas emoções é porque não reconhece as necessidades da criança e nem sabe que seus descontroles são reações dela. Quando você está triste, chorando, sem controle, na verdade é sua criança que faz você sentir tudo isso, pois é o que ela está sentindo desde sua infância. Se ela não for tratada com o amor que esperava, vai ficar esperando e muitas vezes buscando nas outras pessoas este amor, mas só uma pessoa pode dar isso a ela: você!

Quando há dificuldade em vivenciar as próprias emoções, fica mais difícil o processo de individuação, autoconhecimento. Quando há esse reencontro, há uma transformação, uma mudança de perceber a vida. Transformamos nossa consciência, crescemos, transcendemos, vivenciamos mais poder pessoal e de escolhas. Não permitimos mais relacionamentos doentes e destrutivos e começamos a assumir mais a responsabilidade pela nossa felicidade, a ter respeito pelos nossos sentimentos.

Há ainda um resgate da espontaneidade de pensamento, a autenticidade, criatividade na solução de problemas, formas originais de expressão, capacidade de arriscar-se, ir a busca de oportunidades, e o mais importante, ao aprender a cuidar de sua própria criança: maior equilíbrio emocional.

A criança interior amada é instintiva, confiante, intuitiva, criativa, imaginativa, curiosa, apaixonada, suave, sensível. O resgate da criança interior é o elemento mais importante do trabalho terapêutico. É a maior fonte de autoconhecimento. Aumenta a auto-estima e provoca paz e alegria. É a essência do amor, o verdadeiro encontro consigo mesmo. É quando você aprende a se amar!

Dez dicas para cuidar bem do seu lado criança

1. Reconheça que a criança que você foi um dia permanece dentro de você. Afinal, quando amamos alguma coisa ela tem valor para nós, e quando alguma coisa tem valor para nós passamos tempo com ela e cuidamos dela.

2. Entre em contato com a sua criança interior.

3. Em estado de relaxamento em um local tranqüilo, visualize seu quarto de dormir quando pequeno. Recorde o local, as cores, os objetos, o cheiro. Veja sua cama e dormindo nela, você. Aproxime-se, passe a mão nos cabelos dessa criança e acorde-a. Olhe bem em seus olhos e pergunte a ela o que mais quer e precisa. Ouça a resposta. Depois diga a ela que está a seu lado sempre e que a ama muito. Abrace-a fortemente. Permita-se sentir a emoção deste momento.

4. Quando estiver triste, abrace-se como se estivesse abraçando uma criança em seu colo. Diga palavras de tranqüilidade, transmitindo-lhe muita paz e amor.

5. Ampare e apóie todos seus sentimentos.

6. Não viva segundo as regras dos outros, apenas respeite-as.

7. Compre um urso, boneca ou um cachorrinho de pelúcia e coloque em sua cama. Quando estiver triste, converse com ele, como fazem as crianças.Pode ser também um carrinho, autorama e brinque!

8. Vá ao supermercado e compre apenas aquilo que gosta. E coma, sem culpas! Mas também sem exageros.

9. Pegue uma foto sua de criança e coloque num porta retrato. Todos os dias olhe para a foto com carinho, transmitindo-lhe amor.

10. Reserve um tempo e leve sua criança para passear, brincar, se divertir. Permita-se!

domingo, 24 de agosto de 2008

Jung, e pequeno ensaio da psicanálise


Carl Gustav Jung, uma breve biografia

Nasce na Suíça em 26 de julho 1875, Carl Gustav Jung. O pai, um reverendo luterano, deixou-lhe como herança uma fé cega que se mantinha com o custo do sacrifício da compreensão. A tarefa do filho será reviver a fé mediante o conhecimento e a compreensão.

Ao longo de sua vida Jung experimentou sonhos e visões com notáveis característica mitológicas e religiosas, os quais despertaram seu interesse por mitos, sonhos e a psicologia da religião. Ao lado destas experiências, certos fenômenos parapsicológicos emergiam, redobrando seu espanto e questionamento a cerca dos mistérios que a ciência não pode explicar.

Por muitos anos Jung sentiu possuir duas personalidades separadas: um ego público, exterior, e um interno, secreto, que tinha uma proximidade especial com Deus. A interação destes dois egos foi o tema central de sua vida e contribuiu para sua ênfase na integração do indivíduo em sua inteireza.

Incomodava-lhe o fato de que a ciência e a religião não se tocavam, e para saciar tanto um aspecto, como outro, que decidiu sua formação em psiquiatria, onde acreditava que o encontro da natureza e do espírito tornar-se-ia realidade.
Na qualidade de cientista desapegado das verdades únicas, para ele materialismo e ciência não eram sinônimos. O materialismo não passa de um culto a um deus exteriormente concreto por meio da razão, um tipo de fé nos princípios limitadores das leis físicas: “A razão nos impõe limites muito estreitos e apenas nos convida a viver o conhecido”. Para sermos realmente justos, convém recebermos igualmente os aspectos racionais e irracionais da vida.

Perto do fim da vida Jung sugeriu que camadas mais profundas do inconsciente independem das leis de espaço, tempo e causalidade, dando lugar aos fenômenos paranormais como a clarividência e a precognição. A estas correspondências entre acontecimentos interiores e exteriores, ele deu o nome de sincronicidade.

Muitos fatos ocorridos com seus pacientes em tratamento o fizeram crer que os acontecimentos se dispunham de tal modo, como se fossem o sonho de uma consciência maior e mais abrangente, por nós desconhecida.

Em sua formação Jung foi profundamente influenciado pelo trabalho de Sigmund Freud sobre a enfermidade mental e os sonhos, e tornou-se seu colaborador. Mas vieram a divergir e seu contato foi dolorosamente rompido.

Jung acreditava que os sonhos e o inconsciente eram uma expressão da natureza interior do homem, verdadeira e que não pretende enganar, para Jung o inconsciente existe “a priori”; ao contrário de Freud que via no inconsciente um depósito de lembranças reprimidas, isento de movimento e estático, formado a partir do consciente; uma fachada atrás da qual seu significado se dissimula e que dizem respeito às questões da sexualidade.

Jung em sua época propunha uma atitude humanista frente aos pacientes, o homem deve ser visto em sua totalidade e não somente quanto aos seus sintomas. Suas teorias psicológicas servem não apenas de proposta terapêutica, mas como desafio pessoal ao autoconhecimento e autotrancendência. Atrai aqueles que são tocados pelo profundo mistério da existência e não resistem ao chamado da jornada interior do reencontro consigo mesmo.

A psicologia de Jung incentiva o indivíduo a descer os degraus escuros do inconsciente, as suas sombras e inferno particular, para reconhecer o que ele realmente é, e assim integrar esses conteúdos à consciência.

Acessar o inconsciente nos faz ver que os conflitos da humanidade acontecem primeiro dentro de cada um, para depois se exteriorizarem. Para Jung, entendermo-nos com aquilo que não conhecemos em nós mesmos é o grande passo que falta, só assim deixaremos de ver o inimigo no outro e o reconheceremos onde sempre esteve: dentro de nós mesmos.

Hoje, quatro décadas após sua morte aos oitenta e seis anos, suas teorias a respeito da psique humana, do inconsciente e dos sonhos ainda são consideradas revolucionárias, refletindo sua preocupação com o futuro da humanidade. Sua obra é alvo de estudos de psicólogos, sociólogos e antropólogos, e a Psicologia Transpessoal surgiu a partir desta.

Sua vida foi sua obra-prima, fez de si mesmo o laboratório onde ensaiou todas as descobertas que propôs ao mundo, por isso não se pode falar de sonhos sem falar do homem que dedicou sua existência a buscar apreender os mistérios da alma e da psique humana.

O Ego, o Self, e as várias partes da psique nos sonhos

Para melhor compreendermos o trabalho e Jung a respeito dos sonhos, cabe estudarmos sobre as diversas partes da psique. O ego é o centro da consciência, que fornece um sentido de consistência e direção em nossas vidas. Analítico e racional, nos faz crer que é ele, o ego, o elemento central de toda a psique para assim ignoramos sua outra metade: o inconsciente.

De acordo com Jung, a princípio a psique é apenas o inconsciente, o ego emerge dele e reúne numerosas experiências e memórias, desenvolvendo a divisão entre inconsciente e consciente, este derivado da experiência pessoal.Nos sonhos, o ego onírico é aquele com quem o sonhador se identifica, seja observador ou agente. Pode ser apresentado em termos de potencialidades, tendências ou fraquezas, até então mesmo desconhecidas.

As qualidades do ego onírico podem ser avaliadas quanto a sua integridade, inflação, e também quanto a sua fragmentação e passividade.

A persona é a forma pela qual nos apresentamos ao mundo, através da qual nos relacionamos com os outros. A persona inclui nossos papéis sociais, a indumentária que vestimos e nosso estilo de expressão social. O termo persona é derivado da palavra latina que quer dizer “máscara”, usada pelos atores no teatro grego para caracterizar os personagens.

Aqueles que se identificam com sua persona tendem a se ver apenas nos termos superficiais de seus papéis sociais e sua fachada. Jung chamou também a persona de Arquétipo da conformidade.

Mas ela não é somente negativa, serve para proteger o ego das diversas forças e atitudes sociais que nos invadem.
Entre os símbolos usados pela persona, incluem-se as peças de vestuário; símbolos de um papel ocupacional como instrumentos, pasta de documentos, etc; e símbolos de status, como carro, casa, diploma, etc. Esses símbolos podem ser encontrados em sonhos como representações da persona.

Para Jung a sombra, eu inferior ou id é o centro do inconsciente pessoal, o núcleo do material que foi reprimido na consciência. A sombra inclui tendências, desejos, memórias, emoções e experiências que são rejeitadas pelo indivíduo como incompatíveis com a persona e contrárias ao padrão e ideais sociais. Quanto mais forte a persona, e quanto mais nos identificamos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos.

A sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Este material reprimido se torna, em certo sentido, um self negativo, a sombra do ego.

Em sonhos a sombra pode ser vivida como uma figura hostil, primitiva ou repelente; um animal assustador ou outra figura que nos cause mal estar. Isto porque seus conteúdos foram violentamente retirados da consciência. Se este material da sombra for trazido à consciência, ele perde sua natureza amedrontadora.

Enquanto a sombra não é reconhecida pelo seu portador, ele tende a projetar suas qualidades indesejáveis nos outros ou a deixar-se dominar pela sombra sem o perceber, força que perde ao se tornar consciente.

Entretanto a sombra é uma parte de nossa natureza e não pode ser simplesmente eliminada, é preciso ser integrada. Uma pessoa sem sombra é uma caricatura bidimensional de si mesma, que rejeita a ambivalência do bem e do mal presentes em todos nós.

Cada porção reprimida da sombra representa uma parte de nós mesmos, nos limitamos na mesma proporção que mantemos este material inconsciente. Na medida que trazemos a sombra à tona, recuperamos estas partes reprimidas.

A sombra não é apenas a parte negativa da psique, ela é um depósito de considerável energia instintiva, criatividade e vitalidade. Lidar com a sombra é um processo que dura a vida toda, consiste em olhar para dentro e refletir honestamente sobre aquilo que vemos lá, trabalho este em muito facilitado pelos sonhos.

Segundo Jung, consciente e inconsciente não estão necessariamente em oposição uma ao outro, mas complementam-se para formar uma totalidade: o Self.

O Self é um fator interno de orientação, diferente e mesmo estranho ao ego e à consciência. Não é apenas o centro, como também toda a circunferência que abarca o consciente e o inconsciente, é esta totalidade. Seu desenvolvimento não implica que o ego seja dissolvido, este é vinculado ao Self em conseqüência de um longo e árduo processo de compreensão e aceitação dos processos inconscientes.

Há muitas evidências sugerindo que os sonhos são manifestações do centro orientador e ordenador da personalidade, o Self. Tanto os sonhos como os eventos exteriores podem ser proveitosamente relacionados como mensagens simbólicas procedentes de uma fonte que sustenta e dirige o processo individuação (crescimento interior) ao longo da vida do sonhador. A arte da interpretação dos sonhos é um ato de reverência pra com esse transcendente poder dirigente. Trabalhar com sonhos em terapia serve para dar acesso a essa fonte.

O Self é com freqüência figurado em sonhos de forma impessoal, como um círculo, mandala, cristal ou pedra; ou na forma pessoal de um casal real, criança divina, ou em outra forma de divindade. São símbolos da totalidade, unificação, reconciliação de polaridades, objetivos do processo de individuação.
Sendo a persona a face externa da psique, a face interna, a formar o equilíbrio são os arquétipos da ânima e animus. O arquétipo da ânima, constitui o lado feminino no homem, e o arquétipo do animus constitui o lado masculino na psique da mulher. Ambos os sexos possuem aspectos do sexo oposto, não só biologicamente, através dos hormônios e genes, como também, psicologicamente através de sentimentos e atitudes.

O homem traz consigo, como herança, a imagem de mulher. Não a imagem de uma ou de outra mulher especificamente, mas sim uma imagem arquetípica, ou seja, formada ao longo da existência humana e sedimentada através das experiências masculinas com o sexo oposto, principalmente com sua mãe.

Cada mulher, por sua vez, desenvolveu seu arquétipo de animus através das experiências com o homem durante toda a evolução da humanidade.

Em seu aspecto positivo, a ânima, quando reconhecida e integrada à consciência, servirá como guia e despertará, no homem o desejo de união e de vínculo com o feminino e com a vida.
 

A ânima será a “mensageira do inconsciente” tal como o deus Hermes da mitologia Grega.

A valorização social do comportamento viril no homem, desde criança, e o desencorajamento do comportamento mais agressivo nas mulheres, poderá provocar uma ânima ou animus subdesenvolvidos e potencialmente carregados de energia, atuando no inconsciente.

O animus e a anima devidamente reconhecidos e integrados ao ego, contribuirão para a maturidade do psiquismo. Jung salienta que o trabalho de integração da ânima é tarefa difícil. Diz ele: “Se o confronto com a sombra é obra do aprendiz, o confronto com a ânima é obra-prima. A relação com a ânima é outro teste de coragem, uma prova de fogo para as forças espirituais e morais do homem”.

Ânima e animus são responsáveis pelas qualidades das relações com pessoas do sexo oposto. Enquanto inconscientes, o contato com estes arquétipos são feitos em forma de projeções, sendo estas sempre inapropriadas, carecendo de consciência para o crescimento das relações.

Nos sonhos estas partes da psique são reveladas, dando ao sonhador a oportunidade de integrá-las. O sonho com a ânima nos ensina a integrar os aspectos femininos de nossa personalidade, como a entrega, aceitação, delicadeza, amor, prazer e ternura. Enquanto o animus nos ensina e integrar os aspectos masculinos como a assertividade, agressividade e racionalidade.

Para Jung o ser humano nasce inconsciente e traz com ele muitos conteúdos herdados dos ancestrais. Assim, o inconsciente existe “antes”, é pré-existente ao consciente. Segundo Nise da Silveira: “Pode-se representar a psique como um vasto oceano (inconsciente) no qual emerge pequena ilha (consciente)”.

O inconsciente não é estático e rígido formado pelos conteúdos que são reprimidos pelo ego. Ao contrário, o inconsciente é dinâmico, produz conteúdos, reagrupa os já existentes e trabalha numa relação compensatória e complementar com o consciente. No inconsciente encontram-se, em movimento, conteúdos pessoais, adquiridos durante a vida e mais as produções do próprio inconsciente.


Jung classificou o inconsciente em inconsciente pessoal e inconsciente coletivo. O inconsciente pessoal é aquela camada mais superficial de conteúdos, cujo marco divisório com o consciente não é tão rígido. É uma camada de conteúdos que se acha contígua ao consciente. Estes conteúdos subjazem no inconsciente por não possuírem carga energética suficiente para emergir na consciência. Correspondem àqueles aspectos que em algum momento do desenvolvimento da personalidade foram reprimidas.

Também estão, no inconsciente pessoal, percepções subliminares, conteúdos da memória que não necessitam estar presentes constantemente na consciência, e os complexos. Todos estes conteúdos formam um grande banco de dados que poderão surgir na consciência a qualquer momento.

Segundo Jung, o inconsciente coletivo é a camada mais profunda da psique e constitui-se dos materiais que foram herdados da humanidade, que se constitui de arquétipos – predisposições inatas para experimentar e simbolizar situações humanas universais de diferentes maneiras.

Há arquétipos pra as mais variadas situações, para simbolizar relações com os pais, casamento, nascimento dos filhos, confronto com a morte, e muitos mais para cada situação da vida. Uma elaboração derivada destes arquétipos povoa todos os grandes sistemas mitológicos e religiosos do mundo.

Podemos reconhecer com relativa facilidade esses motivos mágico-mitológicos quando o sonho nos confronta com elementos racionalmente impossíveis, em termos de nossa realidade cotidiana. Quando personagens parecem ou agem estranhamente, quando animais e pessoas se metamorfoseiam, quando estão presentes elementos míticos e religiosos. Comportamentos e situações que só acontecem por mágica, nos mitos e nos contos de fadas que, no entanto, não são irracionais ou advindos de um caos sobrenatural. Existe uma coerência formal ou estética, e mesmo uma lógica própria.

O processo de individuação:

Todo indivíduo possui uma tendência para a individuação ou autodesenvolvimento. Individuação significa tornar-se único, a si próprio, realizar-se em si mesmo.

É um processo de desenvolvimento da totalidade, um movimento em direção a uma maior liberdade. Isto inclui o desenvolvimento do eixo ego-Self, além da integração de várias partes da psique: ego, persona, sombra, ânima ou animus e outros arquétipos inconscientes.

Quanto mais conscientes nos tornamos de nós mesmos através do autoconhecimento, tanto mais se reduzirá a camada do inconsciente pessoal que recobre o inconsciente coletivo. Emerge uma consciência livre do mundo mesquinho, suscetível e pessoal de nosso pequeno eu.

Essa consciência ampliada não é mais um novelo egoísta de desejos, temores e ambições de caráter pessoal; tornar-se-á uma função de relação com o mundo, colocando o indivíduo numa comunhão incondicional e indissolúvel com o universo.

Do ponto de vista do ego, o desenvolvimento consiste na integração de material novo na consciência, conhecimento este relativo ao mundo e a si mesmo, pela compreensão, aceitação e integração do conteúdo inconsciente.
De uma forma geral Jung percebeu que os indivíduos até a primeira metade de suas vidas estão sumamente preocupados com as aquisições externas e consecução dos objetivos do ego; e que na segunda metade da vida, após alcançar tais objetivos razoavelmente, há um interesse maior pela integração e harmonia com a totalidade da psique. Para os que buscam esta realização, os sonhos revelam-se como um importante guia para o autodesenvolvimento, através deste caminho a vida poderá ser magicamente conduzida por uma sabedoria maior, o Self.

Durante muito tempo nós vivemos apenas superficialmente, mas em algum momento da existência a psique chama o ego voltar-se para si mesmo, conhecer-se e vasculhar no interior as verdades até então buscadas fora. A partir daí novos horizontes se abrem para a realização pessoal. Se o ego se recusa a tal autoconscientização, a vida tende a se encaminhar a um conflito insustentável. Daí poderão acontecer fracassos, doenças e mesmo a morte. A psique é então uma entidade que regula a si mesma.O primeiro passo para a individuação é o desnudamento da persona. Embora importante, ela é uma máscara que esconde o Self e o inconsciente. Aparentando ser individual, ela é de fato coletiva, isto é, não passa de uma máscara da psique coletiva. Não é real, representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade acerca daquilo que alguém aparenta ser: com nome, título, ocupação, etc.

O próximo passo é o confronto com a sombra. Na medida em que aceitamos a realidade da sombra e dela nos distinguimos, podemos ficar livres de sua influência. Além disso, nós nos tornamos capazes de assimilar o valioso material do inconsciente pessoal que é organizado ao redor da sombra.

O terceiro passo é o confronto com a ânima ou animus. Este arquétipo deve ser encarado como uma pessoa real, uma entidade com que se pode comunicar e de quem se pode aprender. Jung faria perguntas a sua ânima sobre a interpretação dos símbolos oníricos.

O estágio final é o desenvolvimento do Self. Jung dizia a si mesmo que esta é nossa meta de vida, pois é a mais completa expressão do indivíduo. O Self torna-se o novo ponto central da psique, trazendo unidade e integrando o material consciente e inconsciente. O ego já não é o núcleo de toda a personalidade.
Mas o processo de individuação é bem mais complexo do que aqui descrito. Todos os passos mencionados sobrepõem-se, e as pessoas voltam continuamente a problemas e temas antigos em uma nova perspectiva.

A individuação pode ser apresentada como uma espiral na qual os indivíduos permanecem em confronto com as mesmas questões básicas, de forma cada vez mais refinada. Um conceito relacionado com a concepção zen-budista da iluminação, onde a procura de si mesmo e da resolução de seus problemas é, em si, a finalidade.

Não é tarefa fácil ou agradável. O ego precisa ser forte o suficiente para suportar tremendas mudanças, para ser virado do avesso durante o processo de individuação. Mas pode-se dizer que todas as pessoas estão neste processo, embora não o saibam. A consciência de que se está vivendo um processo de individuação pode torná-lo mais brando e objetivo.
Jung viu a identificação temporária com o arquétipo do Self (quando o ego infla e se identifica como o próprio Self, considerando-se sábio ou santo), como um estágio quase inevitável para a individuação. A melhor defesa neste caso é lembrar-nos de nossa humanidade essencial, para permanecermos assentados na realidade daquilo que podemos ser, afinal ninguém é plenamente sábio, infalível e sem defeitos.

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Para os estudiosos da psique humana, e aos que se dedicam ao auto conhecimento, sugiro que vejam o filme "Clube da Luta", com Brad Pitt. Aos desavisados parece ser somente um filme de ação com muita pancadaria e cenas nojentas; aos mais atentos será possível encontrar inúmeros símbolos arquétipos e uma grande gama de conflitos entre os integrantes da psique do personagem do filme. O filme passa então a ser um projeção do processo de individuação vivida pelo personagem de Edward Norton.

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Um filme lindíssimo que conta um momento da vida de Jung é "A Jornada da Alma", que tem como tema a paixão vivida entre Jung e uma de suas pacientes.

 

sábado, 23 de agosto de 2008

Para refletir, o que as mulheres desejam?


Um dia, Artur estava caçando na floresta, quando foi surpreendido por um homem armado com uma clava. o homem pretendia vingar-se de Artur, por ter sido lesado em seu patrimônio. Artur, desarmado, ficou a sua mercê. Vendo-o indefeso, o homem decidiu dar-lhe uma oportunidade. Artur poderia partir, mas deveria voltar, um ano depois, trazendo a resposta para a seguinte questão: O que as mulheres amam acima de tudo?

Durante longos meses, Artur percorreu o país recolhendo respostas de todas as espécies. Quando o prazo se esgotou, ele retornou à floresta, à procura do homem. Encontrou então uma horrenda mulher que lhe disse: Eu sei de tua missão, e todas as respostas que conseguiste são ruins. Eu sei a verdadeira resposta, mas só posso revelá-la se tu prometeres me desposar.

O rei hesitou, mas acabou aceitando a proposta, na esperança de que algo acontecesse e o livrasse do combinado. A mulher então lhe disse: O que as mulheres amam acima de tudo é a Soberania. Diga isto ao teu inimigo.

Artur seguiu caminho e encontrou o homem. Ele lhe deu todas as respostas que havia recolhido. Nenhuma era boa, então lhe disse: As mulheres amam mais que tudo a Soberania. O homem gritou enraivecido: Foi minha irmã que lhe instruiu, eu gostaria de vê-la arder no fogo! Mas deixou Artur partir conforme o combinado.

A horrenda mulher logo apareceu e lhe cobrou a promessa feita. Com a morte na alma, Artur voltou à corte e mandou celebrar o casamento.

À noite, Artur deitou-se ao seu lado e lhe deu as costas. A mulher, carinhosamente, pediu-lhe: Dê-me pelo menos um beijo de cortesia. Artur voltou-se para lhe atender o pedido, mas ao seu lado estava a mulher mais bela que ele já havia visto em toda sua vida. Ela lhe disse: Você pode escolher, me ter bela à noite e horrenda de dia, ou ao contrário. Artur achou a escolha muito difícil e deixou que ela mesma resolvesse o que preferia. Ela então respondeu: Você me terá bela noite e dia. Minha madrasta, por magia, me reduziu a esta forma repugnante e eu só retornaria à forma normal se o rei mais poderoso do mundo me desposasse e me concedesse Soberania em tudo!


de um conto popular da Bretanha, em "As Deusas, as Bruxas e a Igreja"

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A prática tibetana do Phowa


A tradição tibetana oferece uma prática simples e poderosa para o auxílio dos que fazem a passagem, dos que estão doentes ou sãos, e de nós mesmos para nossa evolução espiritual. Esta prática chama-se Phowa e significa transferência de consciência. É uma prática que qualquer um pode realizar independentemente de seu credo; podemos fazê-la aos que já partiram desta vida, bem como a nós mesmos, para a preparação de nossa morte. É muito simples, rápida, e traz uma cura imediata a nossa vida.

Na prática pessoal respire fundo e relaxe; invoque a personificação de uma verdade em que acredita, e visualize-a a sua frente, na forma de luz radiante. Não importa se é um buda, Jesus, a Virgem Maria, um mestre espiritual, o Espírito Santo, Deus, ou simplesmente visualize uma forma de pura luz dourada.

Concentre seu coração, sua mente e alma nesta Presença e reze: “Através de vossa bênção, graça e poder, possa meu carma negativo, minhas emoções destrutivas, toda escuridão e bloqueios serem purificados e removidos! Possa eu ser perdoado de todo mal que fiz e pensei, e ter uma morte boa e serena. E pelo triunfo de minha morte, possa eu ajudar a todos os seres, vivos ou mortos!”

Visualize que a presença luminosa que você invocou foi tocada por sua prece sincera, e envia a você amor e compaixão, num feixe de luz intenso. Quando esta luz lhe toca, limpa e purifica toda a negatividade, que é a causa do sofrimento. Você se sente imerso na luz.

Sinta-se purificado e curado, e seu próprio corpo, criado pelo carma, dissolve-se por completo na Luz! O corpo de luz que você é eleva-se e se funde com a abençoada presença de luz. Você permanece nesse estado de unidade com a presença pelo tempo que puder.

Quando você ajuda uma pessoa no momento de sua passagem, você visualiza a presença espiritual sobre a cabeça desta pessoa. Os raios e luz descem sobre ele, purificando o seu ser, até que ele se dissolve na luz e se funde com a presença.
Se a pessoa que você atende estiver aberta a espiritualidade, partilhe com ela esta prática e explique-lhe como é feita. Se a pessoa já morreu, você pode fazer a prática visualizando-a neste processo.

A prática de Phowa serve para purificar e curar, é igualmente boa para sãos e doentes. Ela vai ajudar no processo de cura, na passagem para a outra vida ou na purificação de quem já morreu. Quanto mais você a fizer, mais ajudará seus amigos e a si mesmo.

adaptação d"O Livro Tibetano do Viver de do Morrer" de Sogyal Rinponche

Conheça Ho'oponopono


Eu opero a minha vida e meus relacionamentos de acordo com os seguintes insights:1. O universo físico é uma realização dos meus pensamentos.
2. Se meus pensamentos são cancerosos, eles criam uma realidade física
cancerosa.
3. Se meus pensamentos são perfeitos, eles criam uma realidade física
transbordando AMOR.
4. Eu sou 100% responsável por criar meu universo físico como ele é.
5. Eu sou 100% responsável por corrigir os pensamentos cancerosos que criam
uma realidade doente.
6. Não existe lá fora. Tudo existe como pensamentos em minha mente.

Oração:"Divino Criador, pai, mãe, filho em um...
Se eu, minha família, meus parentes e ancestrais lhe ofenderam,
à sua família, parentes e ancestrais em pensamentos,
palavras, atos e ações do início da nossa criação até o presente,
nós pedimos seu perdão...
Deixe isto limpar, purificar, liberar, cortar todas as lembranças, bloqueios,
energias e vibrações negativas
e transmute estas energias indesejáveis em pura luz...
E assim está feito."

Introdução:Muitos chegaram ao Ho’oponopono através deste texto do Dr. Joe Vitale divulgado na internet. Para aqueles que não o conhecem aqui está na sua íntegra:

HO´OPONOPONO - por Joe Vitale

Há dois anos, ouvi falar de um terapeuta, no Havaí, que curou um pavilhão inteiro de pacientes criminais insanos sem sequer ver nenhum deles. O psicólogo estudava a ficha do preso e, em seguida, olhava para dentro de si mesmo a fim de ver como ele havia criado a enfermidade dessa pessoa. À medida que ele melhorava, o paciente também melhorava.
A primeira vez que ouvi essa história, pensei tratar-se de alguma lenda urbana. Como podia alguém curar a outro, somente através de curar-se a si mesmo? Como podia, ainda que fosse o mestre de maior poder de autocura, curar a alguém criminalmente insano?

Não tinha nenhum sentido, não era lógico, de modo que descartei essa história. Entretanto, a escutei novamente, um ano depois. Soube que o terapeuta havia usado um processo de cura havaiano chamado "Ho’oponopono".
Nunca ouvira falar dele, no entanto, não conseguia tirá-lo de minha mente. Se a história era realmente verdadeira, eu tinha que saber mais. Sempre soubera que total responsabilidade significava que eu sou responsável pelo que penso e faço. O que estiver além, está fora de minhas mãos.

Acho que a maior parte das pessoas pensa o mesmo sobre a responsabilidade. Somos responsáveis pelo que fazemos e não pelo que fazem os outros. O terapeuta havaiano que curou essas pessoas mentalmente enfermas me ensinaria uma nova perspectiva avançada sobre o que é a total responsabilidade. Seu nome é Dr. Ihaleakala Hew Len.
Passamos, provavelmente, uma hora falando em nossa primeira conversa telefônica. Pedi-lhe que me contasse toda a história de seu trabalho como terapeuta. Ele explicou-me que havia trabalhado no Hospital do Estado do Havaí durante quatro anos.

O pavilhão onde encerravam os loucos criminais era perigoso. Em regra geral, os psicólogos se demitiam após um mês de trabalho ali. A maior parte do pessoal do hospital ficava doente ou se demitia. As pessoas que passavam por aquele pavilhão simplesmente caminhavamcom as costas contra a parede com medo de serem atacadas pelos pacientes.
Não era um lugar bom para viver, nem para trabalhar, nem para visitar. O Dr. Len disse-me que nunca viu os pacientes. Assinou um acordo para ter uma sala no hospital e revisar os seus prontuários médicos. Enquanto lia os prontuários médicos, ele trabalhava sobre si mesmo.

Enquanto ele trabalhava sobre si mesmo, os pacientes começaram a curar-se.

"Depois de poucos meses, os pacientes que estavam acorrentados receberam a permissão para caminharem livremente", me disse. "Outros, que tinham que ficar fortemente medicados, começaram a ter suas medicações reduzidas. E aqueles, que não tinham jamais qualquer possibilidade de serem liberados, receberam alta"

Eu estava assombrado. "Não foi somente isso", continuou, "até o pessoal começou a gostar de ir
trabalhar. O absenteísmo e as mudanças de pessoal desapareceram. Terminamos com mais funcionários do que necessitávamos porque os pacientes eram liberados e todo o pessoal vinha trabalhar. Hoje, aquele pavilhão do hospital está fechado."

Foi neste momento que eu tive que fazer a pergunta de um milhão de dólares: "O que foi que o senhor fez a si mesmo para ocasionar tal mudança nessas pessoas?" "Eu simplesmente estava curando aquela parte em mim que os havia criado", disse ele.

Não entendi. O Dr. Len explicou-me, então, que entendia que a total responsabilidade por nossa vida implica em tudo o que está na nossa vida, pelo simples fato de estar em nossa vida e ser, por esta razão, de nossa responsabilidade. Num sentido literal, o mundo todo é criação nossa.

Uau! Mas isso é duro de engolir. Ser responsável pelo o que digo e faço é uma coisa. Ser responsável pelo que diz e faz outra pessoa que está na minha vida é muito diferente. Apesar disso, a verdade é essa: se você assume completa responsabilidade por sua vida, então tudo o que você olha, escuta, saboreia, toca ou experimenta de qualquer forma é a sua responsabilidade, porque está em sua vida.

Isto significa que a atividade terrorista, o presidente, a economia ou qualquer coisa que você experimenta e não gosta, está ali para que você a cure. Tudo isto não existe, digamos, exceto como projeções que saem do seu interior. O problema não está neles, está em você, e, para mudá-lo, você é quem tem que mudar.

Sei que isto é difícil de entender, muito menos de aceitar ou de realmente vivenciar. Colocar a culpa em outra pessoa é muito mais fácil que assumir a total responsabilidade mas, enquanto conversava com o Dr. Len, comecei a compreender essa cura dele, e que o Ho’oponopono significa amar-se a si mesmo. Se você deseja melhorar sua vida, você deve curar sua vida. Se você deseja curar alguém, mesmo um criminoso mentalmente doente, você o faz curando a si mesmo.

Perguntei ao Dr. Len como ele curava a si mesmo. O que era, exatamente, que ele fazia, quando olhava os prontuários daqueles pacientes. "Eu, simplesmente, permanecia dizendo ‘Eu sinto muito’ e ‘Te amo’, uma vez após outra" explicou-me.
"Só isso?" "Só isso! Acontece que amar-se a si mesmo é a melhor forma de melhorar a si mesmo e, à medida que você melhora a si mesmo, melhora o seu mundo"

Permita-me, agora, dar um rápido exemplo de como isto funciona. Um dia, alguém me enviou um e-mail que me desequilibrou. No passado, eu teria reagido trabalhando meus aspectos emocionais tórridos ou tentado argumentar com a pessoa que me enviara aquela mensagem detestável. Mas, desta vez, eu decidi testar o método do Dr. Len.

Comecei a pronunciar, em silêncio: "Sinto muito" e "Te amo". Não dizia isto para alguém, em particular. Ficava, simplesmente, invocando o espírito do amor, para que ele curasse dentro de mim o que estava criando aquela circunstância externa. Depois de uma hora, recebi um e-mail da mesma pessoa, desculpando-se pela mensagem que me enviara antes.
Observe que eu não realizei qualquer ação externa para receber essa desculpa. Eu nem sequer respondi aquela mensagem. Não obstante, somente repetindo "sinto muito" e "te amo", de alguma maneira curei dentro de mim aquilo que criara naquela pessoa.

Posteriormente, participei de um workshop sobre o Ho’oponopono, ministrada pelo Dr. Len. Ele tem, agora, 70 anos de idade, é considerado um "xamã avô" e é um pouco solitário. Elogiou meu livro "O Fator de Atração" (The Attractor Factor). Disse-me que, à medida que eu melhorar a mim mesmo, a vibração do meu livro aumentará e todos sentirão o mesmo quando o lerem. Resumindo, na medida em que eu melhore, meus leitores também melhorarão.

"E o que acontecerá com os livros que eu já vendi e que estão lá fora?" perguntei. "Eles não estão lá fora", explicou ele, me desconsertando, mais uma vez, com sua sabedoria mística . "Eles ainda estão dentro de você".

Resumindo, nada está do lado de fora. Seria necessário um livro inteiro para explicar essa técnica avançada com a profundidade que ela merece. "Basta, apenas, dizer que, quando você queira ou deseje melhorar qualquer coisa na sua vida, existe somente um lugar onde procurar: dentro de você mesmo. E, quando olhar, faça-o com amor".


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Conhecendo os sistemas Reiki

REIKI USUI é uma terapia que utiliza a Energia Vital Universal (REI) para harmonizar e tratar a Energia Vital Individual (KI) dos seres deste planeta e o próprio planeta. Podemos também dizer, de outra forma, que o Sistema Usui de Harmonização Natural denominado REIKI vem equilibrar, através duma energia cósmica - a Luz Divina ou Infinita –uma outra energia mais densa – Ki – também conhecida por outras denominações – Fluido da Vida, Ka, Energia Bioplasmática, Prana, Qi ou Chi, que segundo a Medicina Chinesa se divide em Yin e Yang.

A essência deste sistema nasce a partir do Dr. Mikao Usui, monge budista numa pequena universidade cristã, em Kioto, no Japão, no final do século XIX. Tendo o mesmo estado sempre em busca do conhecimento espiritual por todo o Japão, China e Europa, após várias práticas meditativas e técnicas no monte Kurama, em Março de 1922 sente a experiência de uma poderosa luz espiritual ou vivência reveladora – a luz de sintonização da energia REIKI.

Vem mais tarde a desenvolver uma sociedade de cura natural através deste método, abrindo também uma clínica em Harajuku, Aoyama, próximo de Tóquio, onde começou a dar conferências e a praticar REIKI. Mais tarde, com o desenvolvimento desta terapia e por mérito da ajuda oferecida em todo o país, recebeu o reconhecimento do governo japonês, que lhe entregou a distinção Kun San-To pelos seus extraordinários méritos humanitários.

Esta terapia vem posteriormente para Ocidente através duma discípula do Dr. Chujiro Hayashi, chamada Hawayo Takata, de origem hawaiana a qual, após ter sido curada da sua enfermidade na clínica de Reiki deste Mestre, ficou a trabalhar com ele desenvolvendo o seu conhecimento neste método terapêutico, trazendo-o posteriormente para a sua terra de origem em 1937, acompanhada pelo Dr. Hayashi, um pouco antes do período em que o Japão ficou isolado do Ocidente, devido â Segunda Guerra Mundial.

Apesar de tudo, tanto antes como depois da guerra, Mestres de Reiki japoneses continuaram exercendo estas suas funções no próprio país. Graças à Mestre Takata, que posteriormente viajou para os Estados Unidos, também no Ocidente se espalhou esta nova e diferente forma de terapia natural.

O REIKI promove a estabilidade emocional, melhorando a saúde e o aperfeiçoamento das condições de vida, restaurando a harmonia e a auto-confiança. A sua aplicação fortalece o sistema imunitário e restaura a saúde física, psíquica e emocional, por isso este método tem uma acepção holística - integra todos os aspectos do Ser. Atua também como preventivo e oferece uma intensa sensação de bem-estar, relaxando e nutrindo de serenidade o organismo. Desenvolve a sensibilidade e acuidade mental e eleva espiritualmente o nosso Ser. É uma terapia segura, sem efeitos colaterais ou contra-indicações, compatível com qualquer outro tipo de tratamentos ou medicina.

O REIKI, mais do que uma antiga arte de cura, é uma valiosa ferramenta para a manutenção da saúde, auto-renovação e crescimento pessoal, um caminho de Amor Incondicional. Em 1962, a OMS reconheceu num diploma designado «Alma Acta» diversas práticas terapêuticas, e o REIKI, a par de outras terapias holísticas, passou a ter algum reconhecimento, sendo posteriormente praticado em muitos países da Europa, América e Ásia, e mais recentemente também no continente africano.

Muitos médicos têm reconhecido o REIKI como um potencial de grande ajuda emocional e estabilizador dos processos de cura, e hoje em dia, em muitos países de todos os continentes o REIKI é praticado em Hospitais e Clínicas, em pessoas de todas as idades. REIKI é aplicado através da imposição da mãos do curador em determinadas áreas do corpo do paciente. Não está vinculado a nenhuma religião.

 
O Sistema Karuna Reiki® foi desenvolvido por William Lee Rand. Os símbolos foram canalizados por vários mestres de Reiki, incluindo Mary Miller, Kellie Ray Marine, Pat Courtney, Catherine Mills Bellamont e Marina Abraham.
Esse sistema complementa o Reiki tradicional, tornando a prática do Reiki ainda mais efetiva e os resultados podendo ser alcançados com mais facilidade. Esse sistema ajuda também a harmonizar relacionamentos, promove o aterramento para as pessoas que se sentem inseguras, que têm dificuldade de concentração e seus símbolos ajudam sobremaneira no tratamento de problemas físicos e emocionais.

William Lee Rand uniu e usou os símbolos que sentiu que tinham maior valor e que tinham uma potência nunca antes alcançada. Ele meditou nos símbolos e foi guiado a desenvolver o processo de sintonização e a dar-lhe o nome de Karuna Reiki®.

Karuna significa ação compassiva. Compaixão usada para atenuar todo sofrimento do mundo. Todos os símbolos do Karuna Reiki® são muito intensos e ampliam a capacidade de cura que a energia Reiki desperta nas pessoas. É um sistema registrado para manter a fidelidade aos ensinamentos revelados ao mestre William Lee Rand. Enquanto no Reiki tradicional o Terapeuta tem acesso a quatro símbolos, com o Karuna Reiki® passa a ter acesso a mais oito.

No sistema Karuna, além da imposição das mãos, o curador entoa os símbolos em voz alta ou mentalmente, pois de acordo com a tradição budista, Avalokiteshvara (ser de pura compaixão) cria "O Som que Ilumina o Mundo".

SEICHIM e SEKHEM são palavras egípcias que significam «Poder», «Luz Viva» ou «Energia Cósmica» e designam um poderoso sistema energético utilizado desde antes da era faraónica. SEICHIM/SEKHEM é pois um método de cura natural, através do acesso e canalização de energias cósmicas, conhecido e usado no Egipto Antigo, mas cuja origem se perde no tempo, crendo-se que as suas raízes remontam à Atlântida e à Lemúria. Esta energia, presente em todo o Universo, alcança as mais altas vibrações e possibilita a canalização de frequências vibracionais elevadas para harmonização e equilíbrio do ser humano em todos os níveis.

Em 1979 Patrick Zeigler, um americano que participava num grupo de trabalhos pela paz mundial da ONU, numa viagem ao Egipto, passou uma noite na grande pirâmide de Gizé, onde recebeu uma poderosa iniciação. Patrick teve contacto com um altíssimo padrão vibracional e com seres de esferas superiores. Entre outras coisas, Patrick sentiu que o seu corpo foi preenchido por uma luz intensa, inicialmente azul, que depois se expandiu a todas as cores, pois as ondas electromagnéticas recebidas atingiam todo o tipo de frequência universal.

O seu chakra cardíaco expandiu-se e banhou todo o seu ser de profundo amor, enquanto todos os outros chakras se expandiam também e ele visualizava coisas jamais imaginadas anteriormente. Fascinado com esta experiência, Patrick regressou um tempo depois ao Egipto e passou longos tempos com um mestre sufi (Brahani) no Cairo que o ensinou a trabalhar com esta energia denominada SEICHIM. Tendo recebido grandes ensinamentos com este mestre, Patrick quis, no entanto, aprofundar ainda mais os conhecimentos sobre esta energia e deslocou-se ao Sudão, ao Tibete e à Índia. Realizou também alguns trabalhos com uma senhora que canalizava um ser espiritual chamado Marat, que, juntamente com o seu mestre sufi, foram-no ensinando a trabalhar e a utilizar a energia, a dádiva que havia recebido.

Após a sua última viagem ao Sudão e ao Egipto, onde permaneceu e trabalhou com outros mestres sufi e seres de outras dimensões, Patrick Zeigler conseguiu acessar estágios superiores da energia SEICHIM/SEKHEM e compreendeu na totalidade todos os ensinamentos que lhe foram passados por Marat e pelo Sheik Mohamed. Neste contexto empreendeu uma unificação da energia, à qual chamou SKHM, nome que, segundo o próprio, define melhor este tipo de elevada energia.

Patrick tornou-se Mestre Reiki, e combinou o ensinamento de Marat com o treinamento em Reiki para sintonizar outras pessoas na energia SKHM. Seu trabalho foi divulgado por alunos e Mestres Reiki, que canalizaram numerosos símbolos. O Reiki Seichim foi disseminado pelo mundo através de Tom Seaman e Phoenix Summefield, que o utilizam em sistemas diferentes. Patrick atualmente não utiliza mais símbolos e faz uma sintonização espontânea em grupos, de modo que cada um tem sua própria experiência, de acordo com o que podem suportar, aceitar e incorporar da energia. Regularmente Patrick vem à Brasília dar workshops.

O Seichim é um sistema que trabalha com as mais altas vibrações do nosso universo, canalizando estas frequências para a cura e harmonia, possibilitando o contacto com o Eu Superior e a cura a nível da alma e da Mónada, atingindo assim todos os corpos, desde o físico ao monádico. É uma cura realizada através das mãos, utilização de símbolos sagrados e técnicas de telepatia e ascensão. Permite a curar e libertar bloqueios emocionais e energéticos, sentir a energia do amor incondicional e entrar em conexão com o Ser e a força interior.


adaptação de diversos sites

Relembrando bons momentos

Casa onde Maria viveu os últimos anos de sua vida, próximo a Éfesus na Turquia.

1º lugar em castelos de areia! É claro que foi trabaho em grupo!


Pôr do sol no mar do Caribe...

Com meu amor no paraíso!

Pensou que estou no Tibet? Errado! Estou na Disney...

Santa Sofia em Istambul.

Museu do Vaticano.


Pôr do sol em Istambul.

Partenon em família.

Igreja de São Paulo em Roma.

Long Pass! Arizona.

Amigo urso no Canadá.


Quase uma fria!!!

Primos do coração!

Querida amiga Bel!


Grupo na casa de nossa querida Stella.

Mestrado de Light Healing com Gisèle King.


Parte de nosso grupo com Gisèle.

Aniversário de nossa amada mestra Célia Burgos!

Macchu Picchu!



Com Amyr.

Miguel!


Grupo com a mestra Célia Vaz.

Victor Alegria.

Casamento com as Bênçãos de Jean-Yves Leloup!




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