terça-feira, 14 de julho de 2009

Impermanência da vida

A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo... ela não dura muito tempo. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango..., que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo que se perdeu.

Você pode estar se perguntando: se tudo é impermanente, se nada dura, como pode alguém viver feliz? É verdade que não podemos, de fato, agarrar ou nos segurar às coisas, mas podemos usar esse conhecimento para olhar a vida de modo diferente, como uma oportunidade muito breve e rara. Se trouxermos à nossa vida a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e teremos maior apreciação por tudo aquilo que já desfrutamos.

Também seremos mais pacientes. Vamos compreender que, por pior que as coisas possam parecer no momento, as circunstâncias infelizes não podem durar. Teremos a sensação de que seremos capazes de suportá-las até que passem. E com maior paciência seremos mais delicados com as pessoas a nossa volta. Não é tão difícil manifestar um gesto amoroso quando nos damos conta de que talvez nunca mais estaremos com a nossa tia-avó. Por que não deixá-la feliz? Por que não dispor de tempo para ouvir todas aquelas histórias antigas?

Chegar à compreensão da impermanência e ao desejo autêntico de fazer os outros felizes nesta breve oportunidade que temos juntos, constitui o começo da verdadeira prática espiritual. É esse tipo de sinceridade que efetivamente catalisa a transformação em nossa mente e em nosso ser. Não precisamos raspar a cabeça nem usar vestes especiais. Não precisamos sair de casa nem dormir em uma cama de pedras. A prática espiritual não requer condições austeras.... apenas um bom coração e a maturidade de compreender a impermanência. Isso nos fará progredir.

Chagdud Tulku Rinpoche, em " Portões da Prática Budista", enviado por Ulisses

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Caminhos para o Ser

Queridos caminhantes,
Estamos caminhando juntos em muitos encontros. Passamos por várias paisagens e assimilamos alguns conhecimentos importantes para nosso cotidiano. Uma das coisas que temos aprendido é aprender a aprender ou mesmo desaprender aquilo que não serve mais, para aprender o novo que chega.

Esta abertura para o acolhimento do novo, pede o desenvolvimento de uma atenção plena, ou seja uma atenção ampla tanto no espaço (interior e exterior) quanto no tempo (permanente). A proposta é de uma atenção durante a consciência de vigília, durante o sono, durante a consciência onírica e durante os estados transexistenciais.

Temos visto que mais importante do que “o quê” é o “como” durante nossa caminhada pela existência. Mais importante do que definir um caminho é encontrar um jeito próprio de caminhar. Mais importante do que “o quê fazer agora” é “o como estar agora”.

No entanto, algumas práticas são sugeridas como forma de reforçar a atenção plena e auxiliar na nossa busca até que cada um de nós esteja plenamente no próprio caminho. Então, vejamos o que temos na nossa sacola de talismãs e que pode nos ajudar a alcançar essa consciência do Ser.

Praticar a simplicidade voluntária
Estudar regularmente temas de interesse
Comungar ao invés de consumir
Honrar a Escuta
Praticar a Ética da Bênção
Encontrar e manter uma Holopraxis no cotidiano
Manter Registros dos momentos significantes (vigília e sonho)
Cuidar do Ser
Retribuir a Gratuidade
Evocar a Presença

Que neste momento possamos sentir o convite da Existência para usarmos nossos talismãs rumo à grande peregrinação que nos leva a nos tornarmos quem já somos.


Lia Teresa (focalizadora do curso de Síntese Transacional - Unipaz)

domingo, 12 de julho de 2009

O novo patamar da mundialização: a noosfera

A atual crise econômica está colocando a humanidade diante de uma terrível bifurcação: ou segue o G-20 que teima em revitalizar um moribundo – o modelo vigente do capitalismo globalizado – que provocou a atual crise mundial e que, a continuar, poderá levar a uma tragédia ecológica e humanitária, ou então tenta um novo paradigma que coloca a Terra, a vida e a humanidade no centro e a economia a seu serviço e então fará nascer um novo patamar de civilização que garantirá mais equidade e humanidade em todas as relações, a começar pelas produtivas.

A sensação que temos é que estamos seguindo um voo cego e tudo poderá acontecer.

De um ponto de vista reflexivo, duas interpretações básicas da crise se apresentam: ou se trata de estertores de um moribundo ou de dores de parto de um novo ser.

Alinho-me na segunda alternativa, a do parto. Recuso-me a aceitar que depois de alguns milhões de anos de evolução sobre este planeta, sejamos expulsos dele nas próximas gerações. Se olharmos para trás, para o processo antropogênico, constamos indubitavelmente que temos caminhado na direção de formas mais altas de complexidade e de ordens cada vez mais interdependentes. O cenário não seria de morte mas de crise que nos fará sofrer muito, mas que nos purificará para um novo ensaio civilizatório.

Não se pode negar que a globalização, mesmo em sua atual idade de ferro, criou as condições materiais para todo o tipo de relações entre os povos. Surgiu de fato uma consciência planetária. É como se o cérebro começasse a crescer fora da caixa craniana e pelas novas tecnologias penetrasse mais profundamente nos mistérios da natureza.

O ser humano está hominizando toda a realidade planetária. Se a Amazônia permanece em pé ou é
derrubada, se as espécies continuam ou são dizimadas, se os solos e o ar são mantidos puros ou poluídos depende de decisões humanas. Terra e humanidade estão formando uma única entidade global. O sistema nervoso central é constituído pelos cérebros humanos cada vez mais em sinapse e tomados pelo sentimento de pertença e de responsabilidade coletiva. Buscamos centros multidimensionais de observação, de análise, de pensamento e de governança.

Outrora, a partir da geosfera surgiu a litosfera (rochas), depois a hidrosfera (água), em seguida a atmosfera (ar), posteriormente a biosfera (vida) e por fim a antroposfera (ser humano). Agora a história madurou para uma etapa mais avançada do processo evolucionário, a da noosfera. Noosfera, como a palavra diz (nous, em grego, significa mente e inteligência) expressa a convergência de mentes e corações, originando uma unidade mais alta e mais complexa. É o começo de uma nova história, a história da Terra unida com a humanidade (expressão consciente e inteligente da Terra).

A história avança por meio de tentativas, acertos e erros. Nos dias atuais estamos assistindo à fase nascente da noosfera, que não consegue ainda ganhar a hegemonia por causa da força de um tipo de globalização excludente e pouco cooperativa, agora vastamente fragilizada por causa da crise sistêmica.

Mas estamos convencidos de que para esta nova etapa – a da noosfera – conspiram as forças do universo que estão sempre produzindo novas emergências. É em função desta convergência na diversidade que está marchando nossa galáxia e, quem sabe, o próprio universo. No planeta Terra, minúsculo ponto azul-branco, perdido numa galáxia irrisória, num sistema solar marginal (a 27 mil anos luz do centro da galáxia), cristalizou-se para nós a noosfera. Ela é ainda frágil mas carrega o novo sentido da evolução. E não se exclui a possibilidade de outros mundos paralelos.

A atual crise torna necessária uma saída salvadora e esta é a noosfera. Então vigorará a comunhão de mentes e corações, dos seres humanos entre si, com a Terra, com o inteiro universo e com o atrator de todas as coisas.

Leonardo Boff (enviado por Ulisses)

sábado, 11 de julho de 2009

A Universidade da Paz, Unipaz


Logo depois da inauguração da Universidade Holística Internacional de Brasília, na Granja do Ipê, em 14 de abril de 1989, definiu-se, sob o impulso de Roberto Crema, com base numa forma aperfeiçoada daquele trabalho prático, a estrutura da Formação Holística de Base, e iniciou-se a primeira turma com mais de oitenta candidatos, em 1989.

Criou-se o colegiado da Formação Holística, que continua se reunindo periodicamente, aperfeiçoando o processo de maneira constante, fazendo revisões para adequar o curso à estrutura geral do programa "A Arte de Viver em Paz", reconhecido pela 26ª Assembléia Geral da Unesco como sendo um novo método holístico de Educação para a Paz.

A Formação Holística de Base está se mostrando, através da experiência de todos esses anos, um poderoso método de transformação, no sentido de despertar uma nova consciência para o terceiro milênio. Para cada um dos Aprendizes, há a pessoa antes e depois da Formação: maior compreensão de si mesmo, dos outros e, sobretudo, do significado desta nossa existência: maior tolerância, paciência e amor. Tais são, sem dúvida, os frutos colhidos por muitos participantes.
Criada por um movimento mundial de pessoas e intituições afins, a Universidade da Paz, Unipaz, trouxe a idéia de semar uma cultura de paz entre os vários segmentos sociais, além de tornar ampla a consciência e promover a integridade do ser, divulgando dessa maneira, o movimento holístico.

A Unipaz é um movimento sem fins lucrativos, cujo objetivo maior é a introdução de uma nova consciência. Esta meta atende ao acordo na Declaração de Veneza da Unesco (1986) e na Carta de Brasília - este último documento-síntese publicado Diário Oficial da União em 17 de abril de 1997.

Hoje a Unipaz vem atuando em diversos países. Cada unidade tem uma programação bem diversificada. A essência do trabalho da Unipaz é trazer o global para o local. Desenvolve, assim, várias atividades de cunho nacional e internacional para a ampliação de conhecimentos e troca de experiências, construíndo deste modo, uma nova visão de mundo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Arquétipos Femininos II – A Amante ou Afrodite

Quando falamos da Mulher Amante, é fácil confundi-la com as mulheres de vida livre, as que “roubam” os homens casados de suas famílias. Mas não é esta mulher em questão. A Mulher Amante é aquela que tem em sua essência o amor, a leveza, a alegria, a beleza, a graça. Esta mulher ama o amor por si só. Ela tem como primeiro amor, a si mesma. É em nome deste amor que ela se arruma e se enfeita.

Por se amar, tudo nela transpira este amor, seu andar, a forma passa as mãos em seus cabelos, sua forma de olhar ou de falar. Este amor por si mesmo se traduz em uma sensualidade natural, que não é o desejo de seduzir. A sua natureza é livre, e também inocente. Mas é sua sensualidade, sua graça e sua beleza irradiante que irá seduzir e provocar a inveja; que se tornarão também os motivos de sua possível queda. Talvez porque o mundo ainda não esteja preparado para o amor...

Ao longo dos milênios do patriarcado religioso, assistimos ao esmagamento e deturpação deste arquétipo feminino. A Mulher que Ama é muitas vezes incompreensível, e foge ao controle da sociedade religiosa, incendiando desejos e corações. Esta mulher foi torturada e queimada viva na Inquisição, sua beleza e sensualidade foi vestida de pecado e iniqüidade. Ela foi considerada pagã e prostituta ou encerrada em códigos de conduta rígidos encontrados em diversas religiões até hoje.

Mas o amor expresso neste arquétipo representa, sobretudo a beleza, a harmonia e a alegria. Esta mulher ama tudo que é belo e harmonioso, a dança, a música, a poesia, todas as artes plásticas, as festas e também: o namoro, o flerte, os jogos lúdicos do amor. Aqui a vida se desenrola num palco muito bem produzido artisticamente, e a peça fala dos encontros e desencontros do amor, onde o aprendizado se faz muitas vezes pela dor, e o final pode ser trágico. Um bom exemplo é o filme Moulin Rouge.

A Mulher Amante traz em si a insígnia do amor, do Grande Amor, e o perigo é desconhecer onde verdadeiramente se encontra este amor. Esta Afrodite, por não reconhecer o amor em si, o espelha no mundo, em seus amantes, e cai na ilusão das paixões, dos amores impossíveis, do amor trágico. O amor que ela vê no reflexo de muitos olhares é o amor que verdadeiramente traz em si, e é só em si mesma que ele pode ser encontrado, no mundo ele se torna fantasia e desilusão.

A queda de Afrodite é quando ela é arrastada para o falso poder da sedução, e quanto mais ela deseja poder mais se afasta de sua verdadeira essência, ou cai no buraco negro da carência e do abandono. Sedução, carência e abandono são as formas da negação do amor em si mesma, aqui está sua ferida.
São muitos os exemplos de Afrodites pelo mundo, talvez a mais célebre seja Marilyn Monroe. Sua sensualidade, sua graça, seu sorriso encantaram e seduziram o mundo, mas ela foi vítima nos medicamentos entorpecentes que fazem dormir e anestesiam as dores, as dores do desamor... Marilyn usou foi usada pela máquina do sucesso, da fortuna e do poder de sedução hollywoodiana, que a levaram para longe de sua essência.

Michael Jackson é o exemplo do homem feminino, amante do amor, obcecado pela beleza, pela perfeição, pelo desejo de ser aceito e amado, e que encontrou o fim trágico também nos anestésicos. É óbvia sua carência afetiva e o desejo de reencontrar a infância perdida, a infância em que faltou o amor e a aceitação.

A cura só é possível depois de muitas andanças. Procura-se no mundo o que não está lá, busca-se amor onde ele é imperfeito, no coração dos homens e mulheres. Os amores impossíveis e as desilusões aqui têm muito a ensinar, cansam o olhar do mundo, o levam para dentro, para a Fonte, para onde o amor está.

O caminho é novamente reencontrar o amor por si mesma, lavar e curar as feridas, conhecer os caminhos que vão dar nas desilusões; e reaprender a amar, a cultivar este amor, fazê-lo transbordar; criar arte, harmonia e beleza no mundo. Aprendemos sempre pelos contrários, se nosso destino é o amor, antes nos vemos enredados nos dramas do desamor. Aqui é possível encontrar a figura de Maria Madalena, a mulher desmerecida, endemoniada, que reencontrou a paz e o amor (não sabemos se levado aos encantos da carne ou não) ao lado do homem que personificou o Grande Amor para toda a humanidade.

Esta mulher busca o amor romântico, mas este é somente uma face do amor. É preciso amadurecer, encontrar os outros aspectos do amor vivenciados por outros arquétipos; encontrar o potencial do amor em si, para viver o amor real e pleno, sem fantasias e ilusões. No entanto, esta mulher não deve morrer dentro de nós, deve viver para enfeitar a vida de graça e beleza, para despertar o amor lúdico e o eros, para manter acesa a chama do desejo nas relações conjugais, para nos levar a um grau mais alto e profundo do conhecimento e da vivência do Grande Amor.

próximo arquétipo feminino: A Mãe ou Deméter. Por Ana Liliam

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Viver é um Espetáculo Imperdível

Viver é um espetáculo imperdível, você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode evitar que ela vá à falência.

Lembre-se sempre de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções. Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você".  É ter capacidade de dizer "eu te amo".

Faça da sua vida um canteiro de oportunidades. Que nas suas primaveras você seja amante da alegria. Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria. E, quando você errar o caminho, comece tudo de novo.

Pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida e descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas é usar as lágrimas para irrigar a tolerância, usar as perdas para refinar a paciência, usar as falhas para esculpir a serenidade, usar a dor para lapidar o prazer, usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo. Jamais desista das pessoas que você ama. Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível...

enviado por Carmem Eugênia

domingo, 5 de julho de 2009

Os sonhos e o amanhã


Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco, sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.

Não te deixes vencer pelo desalento.

Não permitas que alguém retire o direito de te expressares, que é quase um dever.

Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.

Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.

Aconteça o que acontecer, a nossa essência ficará intacta. Somos seres cheios de paixão. A vida é um deserto e um oásis, derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.

Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua: tu podes tocar uma estrofe.

Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre.
de Walt Whitman, enviado por Ada
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