sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Qual o seu rosto?

Imagine se não tivéssemos nenhum espelho ou placa refletora para nos vermos, poderíamos ter uma idéia de como são nossos braços, pernas, corpo, mas pouco saberíamos sobre nosso rosto. Então um dia, diante de um lago límpido e tranquilo nele veríamos refletidas as nuvens do céu, as montanhas e árvores do entorno. Curiosos nos aproximaríamos, e ao nos debruçarmos sobre o lago, eis que veríamos nosso rosto! Num misto de deslumbramento e espanto, conheceríamos a cor de nossos olhos, a linha de nossas sombrancelhas, nosso nariz grave, engraçado ou delicado; nossa boca, orelhas, o formato de nosso rosto, o cabelo a emoldurá-lo...

Mas já não vivemos esta surpresa, pois por onde passamos, espelhos de todos os formatos, refletem nosso semblante e nosso andar no mundo.

No entanto temos também uma face sutil, que não se demonstra facilmente. O rosto oculto de nossos sentimentos, aspirações, pensamentos e emoções. Este rosto diz respeito a quem somos verdadeiramente, não apenas nossa personalidade, mas também toda nossa potencialidade como seres humanos e divinos que somos.

Esta face somente se revela no mundo e nas relações, esta é a única forma verdadeira de nos vermos e nos conhecermos. Vemos o mundo a partir das lentes de nossas emoções e crenças: belo ou feio, seguro ou inóspito, sagrado ou vulgar. Criamos todas as situações em que acreditamos, mesmo que de forma inconsciente. O universo exterior reflete nosso universo interior.

As pessoas a nossa volta refletem aspectos de nós mesmo, refletem nosso potencial luminoso e também nossas sombras...

Quando nos apaixonamos, não é ao outro que vemos, este é apenas um espelho de nosso amor, por tantas vezes desconhecido. Então podemos conhecer nossa ternura e doçura, nossa beleza, nosso entusiasmo sensual e amoroso. Passamos a conhecer a face amorosa de nós mesmos através do amor que sentimos pelo outro.

Quando admiramos alguém, podemos refletir sobre que qualidades o outro nos inspira, e estamos diante de nossas potencialidades, mesmo que por hora adormecidas! Mas o outro também espelha nossas sombras, aqueles aspectos terríveis que negamos veementemente, "eu? Eu não sou assim, eu jamais agiria desta forma! Eu odeio isto!"

É que nossas sombras estão bem guardadas em nós, em algum lugar que dificilmente acharíamos, a não que passemos a procurá-las no espelho do mundo. Nossas sombras são as partes de nós negadas, incovenientes, inaceitáveis. São também aspectos de nosso paassado que não somos capazes de perdoar. Então o outro nos incomoda, reflete o que não queríamos ver sobre nós, ou o que não perdoamos em nós.

Por exemplo, uma pessoa que teve o pai alcoólatra, e que detesta e veementemente critica este vício, mas que de forma escondida mantém este ou um outro vício. Na verdade esta pessoa odeia o alcoolismo, mas ele mesmo é um viciado, embora não deseje assumir isto.

Não há outra forma de nos conhecermos, a não ser no espelho da vida. Tudo que amamos ou odiamos veementemente diz respeito a uma parte de nós a ser despertada e assumida. Cada situação ou pessoa a que reagimos enfaticamente é parte importante de nós, e podemos nos perguntar: "que tipo de pessoa é esta? Que tipo de pessoa é capaz de fazer isto? O que esta pessoa ou situação desperta em mim?" As respostas são esclarecedoras a respeito de nós mesmos, o que julgamos fora de nós é o que julgamos de nós mesmos.

Por mais difícil e doloroso que seja, precisamos tomar posse de  nosso rosto verdadeiro, aceitar cada característica, bela ou terrível, para que nos vejamos inteiros, nor tornemos inteiros, plenos de graça. Pois quando assumimos a sombra ela se tranforma em nosso potencial luminoso! Ela é a doadora de nossa integridade, simplesmente por que em nossa receita divina possuímos todos os ingredientes, em diferentes quantidades e qualidades, mas estão todos lá, pois somos unos com toda humanidade!

Este olhar de perdão e compaixão para com todas as nossas falhas humanas nos permite também um olhar amoroso sobre todos os seres. Reconhecer e aceitar o erro em nós, faz com aceitemos o erro de cada um de nossos irmãos. Já não somos melhores, ou piores que ninguém, somos apenas mais uma alma na incrível jornada da vida!

Ana Liliam

Um comentário:

Natalys disse...

PARABENS ANA...
MARAVILHOSO TEXTO...
ESTA FASE EM QUE ENTRAMOS É ESSA MESMO...
SALA DOS ESPELHOS....

ABRAÇO NA ALMA
E GRATA...

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