terça-feira, 29 de junho de 2010

Nós não somos nossas memórias

Um ator veste cada personagem de sua carreira com toda sua alma. A ele lhe dá suas lágrimas, seu riso, toda intensidade de seus sentimentos para torná-lo verídico. Depois de cada atuacão ele se despe de seu personagem, pois carregar todos os seus dramas, e somá-los a de todos os personagens que já interpretou tornaria a vida insuportável. Ele sabe que os personagens são temporários, e que seus dramas ilusões no palco.

Da mesma forma nós vestimos um novo personagem a cada existência terrena. É em geral uma longa encenação no qual nos vemos envolvidos por várias dezenas de anos. Ao contrário do ator, acreditamos que este personagem que hoje vivemos é realmente quem somos. Acreditamos que os dramas e alegrias de nossa vida são reais e absolutos, e que temos pouca ou nenhuma gerência sobre eles. Acreditamos que esta é a única oportunidade de redenção ou perdição de nossas almas. Levamos tudo de forma muito séria, intensa, dramática, ou talvez com total irresponsabilidade.

Se pudéssemos por um momento ver esta vida como apenas mais um capítulo em nosso grande livro da vida, entenderíamos a relatividade de todos os nossos dramas. Saberíamos aproveitar todas as oportunidades e desafios para crescer e aprender a nos tornarmos melhor. Aprenderíamos a valorizar o que é realmente importante, e a relevar muitas outras coisas realmente sem importância. Seríamos mais felizes, mais sábios, mais amorosos, mais intensamente alegres e autênticos.

Aprenderíamos a não carregar mágoas, raivas e memórias negativas. Compreenderíamos que não somos nossas memórias, e nem os personagens que vestimos. Deixaríamos todo o passado para trás a fim de reencontrarmos nossa essência, nossa inocência, nossa alegria, nosso grande amor, a cada vez que partirmos.

Disse o Mestre: "Venham a mim as criancinhas, pois é delas o Reino dos Céus".
Desta forma indicou que devemos nos rejuvenescer, deixar para trás nossas dores e memórias, encontramos a pureza original, nos tornarmos novamente inocentes para encontrar a verdadeira felicidade.

A cada passo do caminho, abandone seus pesos, deixe ficar tudo que não lhe serve mais, repita para você que você não é suas memórias, nem sua personalidade. Você é muito mais que isto, você é uma alma imortal. Torne-se dono de seu destino, crie amor, alegria, bem-estar em sua vida. Siga leve, seja feliz!

Em busca da felicidade

Todos nós desejamos a felicidade, mas quantos de nós estão prontos para a felicidade? Imaginamos que seremos felizes quando alcançarmos aquele emprego, quando recebermos uma herança ou ganharmos na loteria, quando passarmos naquele concurso, quando um vizinho insuportável se mudar, quando o familiar problemático resolver seu problema, quando encontrarmos o grande amor, quando os filhos crescerem e saírem de casa ou se casarem, etc, etc, etc...

Enfim, colocamos condições demais para que a felicidade nos encontre. Pensamos que nossas limitações, físicas, afetivas, econômicas, profissionais, são impecilhos para que sejamos realmente felizes. Quanto conquistamos alguns itens de nossa grande lista, perdemos outros e continuamos longe de nossa meta.
Talvez estejamos colocando desculpas que encobrem nossa incapacidade de ver a felicidade como ela realmente é e onde realmente está.

Se pensarmos bem a felicidade não pode estar no futuro, que é absolutamente incerto; e no passado simplesmente não é possível retornar. O único tempo em que é possível ser feliz é no agora.

Da mesma forma enquanto focalizarmos nossas limitações e carências não encontraremos satisfação. Limitações, dificuldades, carências fazem parte de nossas memórias, de nossas experiências, de nossa cultura, elas estão limitadas ao tempo/espaço de nossa vida ou vidas terrenas. Não há como ser feliz plenamente se estivermos presos ao emaranhado de dores e negatividade que acumulamos.

Só temos um caminho possível, e este é o de trazermos nossa atenção para nossa essência plena e imortal. Feche os olhos, foque um ponto de luz no centro do seu ser, acredite que nesta dimensão você é pleno, amoroso e liberto de qualquer limitação. Traga esta dimensão para o seu presente, passe a agir, a pensar, a sentir a partir desta dimensão; veja quantas oportunidades maravilhosas a vida de lhe dá, mesmo a partir dos desafios, para que você reencontre sua primeira e última realidade, a única onde você pode ser verdadeiramente feliz.

Seja feliz sob qualquer aspecto, seja feliz de qualquer forma, encontre uma alegria interior imorredoura. Você não é suas memórias, seus fracassos ou sucessos do mundo; tudo isto passa, tudo isto está fadado ao desaparecimento, tudo isto faz parte do mundo de ilusões, um grande sonho do qual um dia todos despertaremos.

Então viva o mundo com leveza, leve em conta a relatividade e a temporalidade de tudo, viva a partir de um estado de beleza, de amor, de alegria - e você estará de posse de sua felicidade, e fará do mundo um lugar melhor todos viverem.

Viva a vida apaixonadamente; encontre nos desafios e dificuldades a oportunidade de aprendizado e crescimento, fortaleça-se com eles e torne-se uma pessoa melhor a cada dia.

Viva a vida com mais humanismo; encontre nos desafetos a oportunidade do perdão, da tolerância e da compaixão. Seja gentil e crie amor em sua vida.

Viva a vida com gratidão; encontre as oportunidades de servir, da caridade desinteressada, da generosidade, e você cria a abundância em sua vida.

Sua vida interior está sendo espelhada a sua volta, tudo o que lhe ocorre é o que você criou através dos seus pensamentos, crenças, ações e sentimentos. Mude sua vida, passando a viver, agir, sentir e pensar a partir da sua essência plena e amorosa, criando um mundo melhor.

De alguma forma todos desejam a felicidade, mesmo que de forma confusa, mesmo que da forma menos óbvia. De uma forma geral as pessoas entendem felicidade como alcançar prosperidade, amor e prazer em suas vidas, mas podemos dizer também que a busca da felicidade é a luz em cada um de nós que busca a luz no mundo. Nascemos com o potencial e o direito de sermos realmente felizes.

Mas a felicidade não é a mera realização dos desejos de nossa personalidade, a felicidade é um estado de serenidade permanente, é a mais doce alegria, é o transbordar do mais terno amor, é o encontro com a Fonte, com a Eternidade, mesmo que ainda neste frágil corpo de carne, felicidade é quando nossa luz encontra a luz no mundo.

Eu desejo que você seja realmente feliz!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A sabedoria do silêncio, Tao


Fale apenas quando for necessário.

Pense no que vai dizer antes de abrir a boca.

Seja breve e preciso já que cada vez que deixas sair uma palavra,deixas sair ao mesmo tempo uma parte de seu Chi (energia). Desta maneira, aprenderás a desenvolver a arte de falar sem perder energia.

Nunca faças promessas que não possas cumprir.

Não te queixes, nem utilizes em seu vocabulário, palavras que projetem imagens negativas
porque se produzirão ao redor de ti, tudo o que tenhas fabricado com tuas palavras carregadas de Chi.

Se não tens nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor se calar e não dizer nada.

Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia.
O próprio Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, Porque o universo aceita, sem condições, nossos pensamentos, nossas emoções, nossas palavras, nossas ações, e nos envia o reflexo de nossa própria energia através das diferentes circunstâncias  que se apresentam em nossas vidas.

Se te identificas com o êxito, terás êxito. Se te identificas com o fracasso, terás fracasso.
Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo de nossa conversa interna.

Aprende a ser como o universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem prejuízos.
Porque sendo como um espelho sem emoções aprendemos a falar de outra maneira.Com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com suas opiniões pessoais e evitando que tenha reações emocionais excessivas,simplesmente permite uma comunicação sincera e fluida.

Não te dês muita importância, e sejas humilde,pois quanto mais te mostras superior, inteligente e prepotente, mais te tornas prisioneiro de tua própria imagem e vives em um mundo de tensão e ilusões.
Sê discreto,  preserva tua vida íntima,desta forma te libertas da opinião dos outros e terás uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO.

Não entres em competição com os demais, torna-te como a terra que nos nutre que nos dá o necessário.
Ajuda  ao próximo a perceber suas qualidades, a perceber suas virtudes, a brilhar.O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente,  crie conflitos . Tem confiança em ti mesmo.preserva tua paz interior evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros.

Não te comprometas facilmente, se agires de maneira precipitada sem ter consciência profunda da situação,vais criar complicações.

As pessoas não têm confiança naqueles que muito facilmente dizem “sim” porque sabem que esse famoso “sim” não é sólido e lhe falta valor. Toma um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta a ti e só então tome uma decisão.
Assim desenvolverás a confiança em ti mesmo e a Sabedoria.

Se realmente há algo que não sabes, ou não tenhas a resposta a uma pergunta que tenham feito, aceite o fato. O fato de não saber é muito incômodo para o ego porque ele gosta de saber tudo, sempre ter razão e sempre dar sua opinião muito pessoal.
Na realidade, o ego nada sabe simplesmente faz acreditar que sabe.
Evite julgar ou criticar, o TAO é imparcial em seus juízos não critica a ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julgas alguém a única coisa que fazes é expressar tua  opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar, é uma maneira de esconder tuas próprias fraquezas.
O Sábio a tudo tolera, sem dizer uma palavra.

Recorda que tudo que te incomoda nos outros é uma projeção de tudo  que não venceu em ti mesmo.
Deixa que cada um resolva seus problemas e concentra tua energia em tua própria vida.Ocupa-te de ti mesmo, não te defendas.

Quando tentas defender-te na realidade estás dando demasiada importância às palavras dos outros, dando mais força à agressão deles. Se aceitas não defender-te estarás mostrando que as opiniões dos demais não te afetam, que são simplesmente opiniões, e que não necessitas convencer  aos  outros para ser feliz.

Teu silêncio interno o torna impassível.
Faz uso regular do silêncio para educar teu ego que tem o mau costume de falar o tempo todo.
Pratique a arte do não falar. Toma um dia da semana para abster-se de falar. Ou pelo menos algumas horas no dia, segundo permita tua organização pessoal.
Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, ao invés de tentar explicar com palavras o que é o TAO.

Progressivamente, desenvolverás a arte de falar sem falar, e tua verdadeira natureza interna substituirá
tua personalidade artificial, deixando aparecer a luz de teu coração e o poder da sabedoria do silêncio.
Graças a essa força, atrairás para ti tudo que necessitas para tua própria realização e completa  liberação. Porem tens que ter cuidado para que o ego não se infiltre…
O Poder permanece quando  o ego se mantém tranquilo e em silêncio.Se teu ego se impõe e abusa desse Poder o mesmo Poder se converterá em um veneno, e todo teu ser se envenenará rapidamente.

Fica em silêncio, cultiva teu próprio poder interno.
Respeita a vida dos demais e de tudo que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo.
Converta-te em teu próprio Mestre e deixa os demais serem o que são, ou o que têm a capacidade de ser. Dizendo em outras palavras, viva seguindo a vida sagrada do TAO.

Texto taoísta, enviado por Maria Terez

quinta-feira, 10 de junho de 2010

História do holocausto

Agosto de 1942 - Piotrkow, Polônia.
Naquela manhã, o céu estava sombrio, enquanto esperávamos ansiosamente.
Todos os homens, mulheres e crianças do gueto judeu de Piotrkow tinham sido levados até uma praça.
Espalhou-se a notícia de que estávamos sendo removidos. Meu pai havia falecido recentemente de tifo, que se alastrara através do gueto abarrotado.
Meu maior medo era de que nossa família fosse separada.
"O que quer que aconteça," Isidore, meu irmão mais velho, murmurou para mim, "não lhes diga a sua idade. Diga que tem dezesseis anos".
Eu era bem alto, para um menino de 11 anos, e assim poderia ser confundido como tal. Desse jeito eu poderia ser considerado valioso como um trabalhador.
Um homem da SS aproximou-se, botas estalando nas pedras grosseiras do piso. Olhou-me de cima a baixo, e, então, perguntou minha idade.
"Dezesseis", eu disse. Ele mandou-me ir à esquerda, onde já estavam meus três irmãos e outros jovens saudáveis.
Minha mãe foi encaminhada para a direita com outras mulheres, crianças, doentes e velhos. Murmurei para Isidore, "Por quê?" Ele não respondeu. Corri para o lado da mãe e disse que queria ficar com ela. "Não," ela disse com firmeza. "Vá embora. Não aborreça. Vá com seus irmãos".
Ela nunca havia falado tão asperamente antes. Mas eu entendi: ela estava me protegendo. Ela me amava tanto que, apenas esta única vez, ela fingiu não fazê-lo. Foi a última vez que a vi.
Meus irmãos e eu fomos transportados em um vagão de gado até a Alemanha.
Chegamos ao campo de concentração de Buchenwald em uma noite, semanas após, e fomos conduzidos a uma barraca lotada. No dia seguinte, recebemos uniformes e números de identificação. "Não me chamem mais de Herman", eu disse aos meus irmãos. "Chamem-me 94938".
Colocaram-me para trabalhar no crematório do campo, carregando os mortos em um elevador manual. Eu, também, me sentia como morto. Insensibilizado, eu me tornara um número. Logo, meus irmãos e eu fomos mandados para Schlieben, um dos sub-campos de Buchenwald, perto de Berlim.
Em uma manhã, eu pensei ter ouvido a voz de minha mãe. "Filho" ela disse suave, mas claramente, "Vou mandar-lhe um anjo". Então eu acordei. Apenas um sonho. Um lindo sonho. Mas nesse lugar não poderia haver anjos. Havia apenas trabalho. E fome. E medo.
Poucos dias depois, estava caminhando pelo campo, pelas barracas, perto da cerca de arame farpado, onde os guardas não podiam enxergar facilmente. Estava sozinho. Do outro lado da cerca, eu observei alguém: uma pequena menina com suaves, quase luminosos cachinhos. Ela estava meio escondida atrás de uma bétula. Dei uma olhada em volta, para certificar-me de que ninguém estava me vendo. Chamei-a suavemente em Alemão. "Você tem algo para comer?"
Ela não entendeu. Aproximei-me mais da cerca e repeti a pergunta em Polonês. Ela se aproximou. Eu estava magro e raquítico, com farrapos envolvendo meus pés, mas a menina parecia não ter medo. Em seus olhos eu vi vida. Ela sacou uma maçã do seu casaco de lã e a jogou pela cerca.
Agarrei a fruta e, assim que comecei a fugir, ouvi-a dizer debilmente, "Virei vê-lo amanhã". Voltei para o mesmo local, na cerca, na mesma hora, todos os dias. Ela estava sempre lá, com algo para eu comer - um naco de pão ou, melhor ainda, uma maçã.
Nós não ousávamos falar ou demorarmos. Sermos pegos significaria morte para nós dois. Não sabia nada sobre ela. Apenas um tipo de menina de fazenda, e que entendia Polonês.
Qual era o seu nome? Por que ela estava arriscando sua vida por mim?
A esperança estava naquele pequeno suprimento, e essa menina, do outro lado da cerca, trouxe-me um pouco, como que me nutrindo dessa forma, tal como o pão e as maçãs.
Cerca de sete meses depois, meus irmãos e eu fomos colocados em um abarrotado  vagão de carvão e enviados para o campo de Theresiensatdt, na Tchecoeslováquia. "Não volte", eu disse para a menina naquele dia. "Estamos partindo". Voltei-me em direção às barracas e não olhei para trás, nem mesmo disse adeus para a pequena menina, cujo nome eu nunca aprendi - menina das maçãs.
Permanecemos em Theresienstadt por três meses. A guerra estava diminuindo e as forças aliadas se aproximando, muito embora meu destino parecesse estar selado. No dia 10 de maio de 1945, eu estava escalado para morrer na câmara de gás, às 10:00 horas. No silencioso crepúsculo, tentei me preparar. Tantas vezes a morte pareceu pronta para me achar, mas de alguma forma eu havia sobrevivido. Agora, tudo estava acabado. Pensei nos meus pais. Ao menos, nós estaremos nos reunindo.
Mas, às 08:00 horas ocorreu uma comoção. Ouvi gritos, e vi pessoas correndo em todas as direções através do campo. Juntei-me aos meus irmãos.
Tropas russas haviam liberado o campo! Os portões foram abertos. Todos estavam correndo, então eu corri também.
Surpreendentemente, todos os meus irmãos haviam sobrevivido. Não tenho certeza como, mas sabia que aquela menina com as maçãs tinha sido a chave da minha sobrevivência. Quando o mal parecia triunfante, a bondade de uma pessoa salvara a minha vida, me dera esperança em um lugar onde ela não existia. Minha mãe havia prometido enviar-me um anjo, e o anjo apareceu.
Eventualmente, encaminhei-me à Inglaterra, onde fui assistido pela Caridade Judaica. Fui colocado em um abrigo com outros meninos que sobreviveram ao Holocausto e treinado em Eletrônica. Depois fui para os Estados Unidos, para onde meu irmão Sam já havia se mudado. Servi no Exército durante a Guerra da Coréia, e retornei a Nova Iorque, após dois anos.
Por volta de agosto de 1957, abri minha própria loja de consertos eletrônicos.
Estava começando a estabelecer-me. Um dia, meu amigo Sid, que eu conhecia da Inglaterra, me telefonou. "Tenho um encontro. Ela tem uma amiga polonesa. Vamos sair juntos!".
Um encontro às cegas? Não, isso não era para mim!
Mas Sid continuou insistindo e, poucos dias depois, nos dirigimos ao Bronx para buscar a pessoa com quem marcara encontro e a sua amiga Roma. Tenho que admitir:  para um encontro às cegas, não foi tão ruim. Roma era enfermeira em um hospital do Bronx. Era gentil e esperta. Bonita, também, com cabelos castanhos cacheados e olhos verdes amendoados que faiscavam com vida.
Nós quatro fomos até Coney Island. Roma era uma pessoa com quem era fácil falar e ótima companhia. Descobri que ela era igualmente cautelosa com encontros às cegas.
Nós dois estávamos apenas fazendo um favor aos nossos amigos. Demos um passeio na beira da praia, gozando a brisa salgada do Atlântico e depois jantamos perto da margem. Não poderia me lembrar de ter tido momentos melhores.
Voltamos ao carro do Sid, com Roma e eu dividindo o assento traseiro.
Como judeus europeus que haviam sobrevivido à guerra, sabíamos que muita coisa deixou de ser dita entre nós. Ela puxou o assunto, perguntando delicadamente:
"Onde você estava durante a guerra?"
"Nos campos de concentração", eu disse.
As terríveis memórias ainda vívidas, a irreparável perda. Tentei esquecer.
Mas jamais se pode esquecer. Ela concordou, dizendo:  "Minha família se escondeu em uma fazenda na Alemanha, não longe de Berlim . Meu pai conhecia um padre, e ele nos deu papéis arianos."
Imaginei como ela deve ter sofrido também, tendo o medo como constante companhia. Mesmo assim, aqui estávamos, ambos sobreviventes, em um mundo novo.
"Havia um campo perto da fazenda", Roma continuou.
"Eu via um menino lá e lhe jogava maçãs todos os dias."
Que extraordinária coincidência, que ela tivesse ajudado algum outro menino.
"Como ele era?", perguntei.
"Ele era alto, magro e faminto. Devo tê-lo visto todos os dias, durante seis meses."
Meu coração estava aos pulos! Não podia acreditar! Isso não podia ser!
"Ele lhe disse, um dia, para você não voltar, por que ele estava indo embora de Schlieben?".
Roma me olhou estupefata. "Sim!".
"Era eu!".
Eu estava para explodir de alegria e susto, inundado de emoções. Não podia acreditar! Meu anjo!
"Não vou deixar você partir", disse a Roma.
E, na traseira do carro, nesse encontro às cegas, pedi-a em casamento. Não queria esperar.
"Você está louco!", ela disse.
Mas convidou-me para conhecer seus pais no jantar do Shabbat da semana seguinte. Havia tanto que eu ansiava descobrir sobre Roma, mas as coisas mais importantes eu sempre soube: sua firmeza, sua bondade. Por muitos meses, nas piores circunstâncias, ela veio até a cerca e me trouxe esperança. Não que eu a tivesse encontrado de novo, eu jamais a havia deixado partir.
Naquele dia, ela disse sim. E eu mantive a minha palavra. Após quase 50 anos de casamento, dois filhos e três netos, eu jamais a deixara partir.”

Esta é a hitória de Herman Rosenblat -  Ele agora vive em Miami Beach, Florida.

Esta é uma história verdadeira e você pode descobrir mais sobre ele no Google. Esta história está sendo transformada em filme, chamado "A cerca".

enviado por Gabriel 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Despertar Espiritual


Você, nesse momento, está passando por um processo de despertar. O processo de despertar pode ser muito desafiador, pode ser enganador, e pode ser lindo, tudo ao mesmo tempo.

Você sabe que está passando por um processo de despertar espiritual quando você começa a questionar coisas que jamais havia questionado antes, coisas como autoridade e estrutura; quando você começa a questionar por que está aqui na Terra, qual o significado da vida, o que é que deveria estar fazendo agora.

Você sabe que está passando por um processo de despertar quando, nos momentos de quietude, você envia uma mensagem totalmente do seu coração, da parte mais verdadeira de seu ser – “Querido Espírito, estou pronto.” Você diz do fundo verdadeiro de seu ser, “Querido Espírito, querido Ser Eterno, quero fazer algo por mim”.

Você sabe que está passando por um processo de despertar quando todas as velhas crenças não parecem mais ser verdadeiras, e as coisas que você mantinha com tanto afeto, agora parecem memórias do passado, coisas do passado. Você sabe que está passando por um processo de despertar quando as coisas que costumavam ser sonhos, objetivos e desejos do eu humano não têm mais importância, mas você não sabe o que importa.

Se você está ouvindo ou lendo isso, ou foi tocado de alguma maneira, estamos aqui para lhe dizer que você não está sozinho. Há seres do Universo do nosso lado que estão aí, com você, nesse momento – não em um futuro, não em algum lugar do passado que você não lembra bem – mas agora mesmo, nesse momento. E com um simples respirar, com sua simples respiração, é aberta a porta para que nós cheguemos perto de você para lhe amar, e lhe lembrar de suas origens, deixando-o saber que temos um imenso amor e compaixão por você. Você não está só.

Com uma simples respiração nesse momento, você permite o amor e a compaixão de dezenas de milhares e milhares de humanos nesse momento na Terra, que passaram ou estão passando por um processo similar ao seu – o despertar do Espírito. Eles sabem como é perder todas as coisas que eram queridas. Eles sabem o que é ter seus sistemas de crenças desafiados em todos os níveis. Eles sabem como é quando as coisas do mundo material, que eram importantes, de repente começam a se dissolver. Eles sabem como é perder um relacionamento, ou, pelo menos, a ilusão de estar perdendo, de maneira que eles, e agora você, podem começar a se relacionar consigo mesmo. Com uma simples respiração você pode se abrir e se permitir não estar mais sozinho.

Sabemos que tem sido difícil e desafiador, e nós sabemos bem que, o que vem passando é muito cheio de emoção e, às vezes, muito dramático. Sabemos que você vem tentando descobrir o que é, usando sua mente. Você vem usando sistemas, estruturas e métodos, e até agora não encontrou as respostas. Você tentou analisar, mas é algo que não pode ser analisado. Pode ser apenas sentido e experimentado. Você passou, muitos de vocês passaram por aconselhamento – seja profissional ou com amigos – e você sabe, em seu coração, que os métodos e as palavras que eles lhe transmitem não estão verdadeiramente preenchendo esse profundo anseio interno de conhecer-se, e de conhecer o Espírito em você.

Sabemos que, às vezes, você quer apenas desaparecer. Apenas evaporar. Não se trata de morrer, apenas sair da existência. Os desafios, a transformação, as mudanças podem ser demasiadas para o humano, para a mente, para o aspecto de você que tem uma espécie de venda nos olhos, que não vê quem realmente é. Pode ser demasiado e tão duro, que você escolhe sair da existência.

Mas os anjos que estão agora aí com você, e os anjos humanos de pé junto a você entendem sua jornada. Eles têm algumas mensagens para você hoje. Primeiro, e antes de mais nada, é que você não está sozinho. Segundo, que o processo que você está passando é na verdade muito natural. Pode parecer confuso e você pode se sentir perdido, mas o que está fazendo é muito natural. Você está permitindo que a fachada humana, e a ilusão de quem pensava ser se desvaneçam. E enquanto se desvanecem, o que você começa a conhecer, no nível mais profundo e amoroso, é seu ser divino. Ver a si mesmo como Espírito; você conhece a si como divino, não mais limitado a uma velha identidade humana, mas entendendo agora que é eterno, que você é grandioso e pode escolher a sua própria realidade, até mesmo como viver na Terra agora.

Aqueles seres de luz reunidos agora à sua volta partilham com você o fato de que todas as respostas estão internamente. Elas não são encontradas com alguns gurus. Elas não se encontram com algum ser angélico, mas dentro de você. Viver nesse estado de dualidade como você vem fazendo, vivendo com o conceito de luz e escuridão, bom e mau, masculino e feminino, fez você cair num sistema de crença, que diz que as respostas estão por aí, em algum lugar... De fato elas estão dentro de você. Elas vêm do espaço interior mais verdadeiro e mais precioso, e elas podem ser descobertas no momento de quietude, no momento da respiração, no momento de aceitação de si mesmo.

Partilhamos com você que não há uma meta, não há um propósito, não há algum Deus no céu distante que esteja fazendo você passar por algum labirinto, ou por um curso de obstáculos. Mas a realidade é que, tudo em sua vida é de sua criação, é sua descoberta da beleza, sua descoberta das profundezas da realidade. Tudo que você está experimentando agora, em sua vida, é por sua escolha. Não há forças externas ou seres que estejam fazendo você passar por isso. Não há ninguém ditando o destino de sua vida. Você vai descobrir que tudo é por escolha sua.

Talvez uma parte de si mesmo, muito profunda, tenha desejado ter a experiência de passar pela vida como a conheceu até agora. Mas entenda que você é quem a está criando. E quando você entende isso e toma posse de si mesmo, você começa a entender a beleza de sua jornada. Você passa a entender que não está perdido de maneira nenhuma. Você apenas esteve profundamente imerso numa experiência tão cheia de riqueza, mesmo que dolorosa algumas vezes, mas que trouxe um novo significado e uma nova profundidade a sua alma.

Então, nesse dia, nesse momento, no despertar de seu eu verdadeiro, é hora de dizer adeus ao seu velho eu humano. Você vem tentando ficar agarrado nele, fazendo reparos e revivendo-o, e agora é o momento de dizer adeus a essa identidade humana, às crenças limitadas, ao velho caminho do carma, à velha progressão de vidas que o mantiveram nessa brincadeira de roda. É hora de dizer adeus a tudo isso.

Parte de você pode sentir tristeza. É uma morte da consciência, não uma morte do corpo físico, mas uma morte da consciência. Mas, ao dar adeus ao velho “eu”, você também libera energias que estavam travadas ou feridas, energias que não lhe servem mais e não lhe serviram por muitas, muitas vidas.

Ao dizer adeus ao seu velho eu humano, você descobre uma nova liberdade. É como tirar um terno ou uma armadura de que não se precisa mais. Ao liberar o velho aspecto do eu, você cria agora espaço dentro de você para a entrada do eu maior, o eu divino, seu eu angélico que vem pacientemente esperando com suas asas fechadas, esperando você terminar de jogar esse maravilhoso jogo ou experiência, esperando você fazer a escolha e convidar a entrar agora, nessa realidade, seu eu verdadeiro, o eu divino.

Quando você diz adeus ao seu eu humano, surgem questões de medo, de morte e de perder o controle. Mas, queridos amigos, todas elas são ilusões. Quando você libera quem achava que fosse, você dá espaço para ser tudo que realmente é. Nesse momento, há um sentimento em você de que, se liberar, vai cair num tipo de abismo escuro e eterno, e jamais voltará, jamais será achado, talvez até mesmo fique vagando perdido através das dimensões e universos. Mas esse grupo de anjos, nesse momento com você, e o grupo de humanos com você, todos eles passaram pela experiência, e todos entendem que, quando você libera quem pensava ser, quando você confia em si mesmo no mais íntimo, no nível mais bonito, você descobre quem você realmente é.

Essa escolha é sua, é claro. Depende de você. Mas você chamou, rezou, pediu respostas e...

No despertar de seu verdadeiro eu, você também dá adeus a Terra como a conheceu até então. Muitos chamam a Terra de “Gaia”, a terra, a água, o céu. Gaia é um espírito que cuidou da Terra, que vem alimentando a Terra, todos os seus elementos, todos os seus animais e todas as suas florestas, desde o início dos tempos desse planeta. É sua responsabilidade ser parte dela, da Terra.

No despertar por que passa agora, é também tempo de dar adeus à consciência humana como a conheceu. Você jamais será o mesmo novamente. Recentemente a Terra entrou numa nova esfera. Nós a chamamos a nova consciência, ou a Nova Energia. Nessa nova consciência todas as coisas mudam. A Terra, a consciência humana e os humanos estão evoluindo nesse momento. A mudança que você vê fora de você, pode parecer caótica. Pode parecer que as coisas estão se desenrolando, tudo caindo em pedaços. Pode parecer que há carência de bens essenciais. Pode parecer que as coisas estão constantemente no limite.

É hora de liberar isso também, porque a humanidade está passando por um incrível processo de transformação. Está passando por importantes mudanças e, o que parece ser falta de combustível e petróleo, representa mais novos desenvolvimentos em tecnologia, e novas fontes de energia. Ao invés do velho combustível fóssil, é a descoberta de um novo combustível. O que parece ser carência de alimentos é realmente sobre olhar como cuidar da biologia de uma nova maneira, como alimentá-la de uma nova maneira, como criar as plantações de uma maneira nova, natural e eficiente.

Mudanças nos governos, mudanças na política, tudo é parte do processo. É fácil ficar com medo e se preocupar sobre o que vai acontecer ao mundo nesse momento, mas esse grupo de anjos e esse grupo de humanos, eles sabem que é apenas evolução. Eles sabem que a mudança pode parecer caótica, mas a lei natural da evolução e da expansão está em andamento nesse instante, e você está participando dela.

Trata-se de dizer adeus ao mundo como você o conheceu, mesmo em termos de finanças, prosperidade e riqueza. Por, ah...Tantos e tantos anos na Terra a riqueza, o poder, o dinheiro foram centralizados em tão poucos lugares, e mantidos por tão poucas pessoas, ou consolidados em tão poucos países. Na nova consciência, esse desequilíbrio não funciona mais. Então a riqueza, mesmo o equilíbrio do que vocês chamariam poder, é redistribuída. Isso não significa que alguém ganha menos, significa apenas que, os que estão atrás, agora se nivelam.

O mundo não está se acabando, o mundo está evoluindo. O mundo está redistribuindo. O mundo está se tornando mais equilibrado e justo.

No processo de despertar, as coisas podem parecer obscuras. As coisas podem parecer ser do mal. As coisas podem parecer muito confusas, mas estamos aqui para lhe dizer que é apenas evolução. O mundo vai continuar. A Nova Energia vai entrar. O novo entendimento da ciência e da matemática, o desenvolvimento na tecnologia e na educação, tudo está chegando agora mesmo.

O processo de despertar pode ser solitário porque se trata da redescoberta de quem você é, sem ter os outros para lhe dizer isso, sem ter o sistema de crenças dos outros para dar forma e criar sua vida. Sabemos que você vem passando por uma parte de sua vida muito triste, muito obscura e solitária, sentindo-se muito perdido e confuso, como se ninguém o ouvisse. Mas esses seres angélicos e esses seres humanos querem que saiba que nós o ouvimos. Sabemos quem você é. Sabemos o que vem passando. E queremos que você saiba que jamais está sozinho.

Seu processo de despertar vai continuar a se revelar, e nesse processo, você vai ver toda a sua beleza. Você vai ver como você, enquanto um ser divino, na verdade planejou tudo para si mesmo. Você vai ver o medo ir embora. Vai ver as ilusões da dualidade partirem, e serem substituídas pelo conhecimento da unidade.

Você jamais está sozinho."


(Canalização de autoria desconhecida), enviado por Durante

terça-feira, 1 de junho de 2010

A beleza da imperfeição, por Saimon L. Selau


“Não há o que temer!
Rotulamo-nos tanto, nos resumimos tanto, tentamos ser tão perfeitos, mas toda a beleza está na imperfeição. O único animal imperfeito é o ser humano, e por isso nos desenvolvemos, somos ansiosos, somos questionadores, odiamos e amamos, e isso nos torna mágico... Criativos.”


O pior erro do ser humano foi desenvolver o conceito de perfeito! Criamos ídolos, criamos estátuas de madeira e adoramos, criamos um rio sagrado e adoramos, criamos um templo e adoramos, criamos Deus como um ser formal no qual nos direcionamos com toda a delicadeza e pedimos, pedimos, agradecemos, agradecemos, mas parece que ele está distante, a oração parece o único momento de contato com ele. O chamamos de pai, mãe, criamos um personagem, mas na maioria das vezes, não nos damos conta que criamos um Deus para fugir dos nossos próprios medos, nossos próprios receios, das nossas imperfeições e esquecemos que na imperfeição está toda a magia, aquilo que nos indica um caminho diferente, o novo e que somos parte desse Deus, da nuvem, da terra e do ar.

Crescemos com a síndrome da perfeição, o que pode e o que não pode, ali sim, ali não, claro e escuro, bom e mau e assim criamos um mundo de paradigmas. Não digo que fazer coisas erradas seja bom, mas sim, tirar todas as barreiras mentais que criamos fazendo um mundinho esquecido no meio de um Universo Infinito.

A flor não pode viver sem a terra, mas no dicionário a terra é uma coisa e a flor é outra! O céu é uma coisa e o planeta é outra, mas quando olhamos o céu a noite vemos estrelas. Estrela é uma coisa, mas a terra e o céu são diferentes? De outro planeta não seriamos um ponto no universo? Então porque Deus estaria numa estátua, ou num templo, ou num personagem? Porque não poderíamos fazer parte desse Deus se tudo depende da existência do outro?


A sabedoria é diferente do intelectual. O intelectual tem rótulo, a sabedoria não pode ser rotulada, pois ele não tem fim, ela não pode ser compreendida, e sim desenvolvida e sentida, a grande maioria das idéias é gerada de sonhos ou insights, o mais sábio é aquele que menos sabe, que menos rotula, que menos se auto-intitula. A flor é a flor, é bela, única, tudo em si mesma e a flor sim é perfeita. O ser humano não, pois se o ser humano fosse perfeito, não precisaria existir, e dessa imperfeição desenvolvemos tudo e crescemos, descobrimos e transformamos.


O ser humano sofre muito, perde muito tempo com essa idéia de perfeição, perde tempo por achar que não é tão bom, porque existem outras pessoas melhores, mas o que é ser melhor?


Aquele que chega a algum lugar é aquele que segue a viagem observando a estrada e aprendendo e continua, sabendo que não podemos nunca alcançar o horizonte, mas que podemos sim nos libertar cada vez mais descobrindo a totalidade da qual fazemos parte como essência, sem preconceitos, sem pré-julgamentos, sem bloqueios vindos de ilusões criadas pelas perfeições que criamos fora esquecendo que tudo é reflexo de dentro ate que um dia não precisaremos mais de um caminho, ou de um objetivo, pois somos a totalidade, estamos redescobrindo essa totalidade dentro de nós mesmos.

enviado por Leise


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