segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O medo de se encontrar a Deus


            O Divino em nós é um chamado que clama há muito tempo. Mas muitos vivem alheios a este chamado, na escuridão do caminho, e nem se perguntam da existência de Deus, do significado de Deus em suas vidas. Muitos podem ter uma idéia confusa e limitada de Deus, mas não cogitam em esclarecê-la, se satisfazem com o pouco, como se satisfazem com o pouco e limitado em suas vidas. Muitos têm uma idéia clara a respeito de Deus, e acreditam que assim é suficiente. Em suas mentes concebem Deus e assim O tem sob controle, não sabem que Deus não é uma idéia racional, mas que Deus é uma água a ser tomada, uma experiência a ser vivida, como um mergulho no mar com o qual tanto sonhamos. Deus não está presente em nossa mente racional, somente o coração pode concebê-LO em sua plenitude.
O que impede que conheçamos a Deus? Com certeza o esquecimento de nossa origem divina, e o medo. A presença de Deus em nós é transformadora, é um exercício de entrega e fé. É uma experiência apaixonante, além do nosso controle. Conhecer a Deus é entregar-se a Sua Presença em nós e permitir que esta Presença nos transforme. E é assim que acontece, conhecer a Deus implica em mudar nossos padrões, é abdicar das pequenas satisfações de nosso ego, é mudar nossos valores e ideais, é se deparar e aceitar a dor que carregamos. É ter coragem de nos vermos como nos apresentamos no mundo, é ter coragem de vencer o medo e nos conectar com nossa dor. E quantos de nós estamos dispostos a esta transformação? Muitas vezes preferimos ver Deus ao longe, não dobrar aquela esquina que nos levará a Ele e, inevitavelmente, às mudanças interiores que intimamente tememos. Estes estão a um passo de Deus, a um passo de, em um instante, deixarem de lado suas mentes racionais, seu pensamento lógico e tenaz, e se entregarem neste mergulho nas águas da Vida, do Universo, de Deus.

Também a forma como fomos criados é um fator que favorece ou dificulta nosso encontro com Deus. Quantos de nós tivemos nossa infância marcada pela ausência da espiritualidade e pelo materialismo, pela crença de um Deus que castiga e pune Seus filhos cativos na carne? Quantos, ao contrário, tiveram a oportunidade de crer em um Deus de amor e bondade, que permite infinitas chances aos Seus amados filhos, que Se faz presente no céu infinito, no mar, nas nuvens, no vento, nas flores e nas dores de nosso viver? O amor de nossas mães e o conceito que passaram ou deixaram de passar a respeito de Deus, pode nos levar ao encontro desse manancial de amor que nos habita ou nos levar para longe deste encontro, de onde teremos que voltar lentamente.
Mas Deus não avisa a hora deste encontro, chega de imprevisto, nos surpreende com a delicadeza deste encontro, com a simplicidade deste momento e a intensidade de Seu amor. Para tal, é preciso que deixemos abertas as portas e as janelas de nosso coração, é preciso ter a “casa interior” arrumada e cheia de flores a espera deste inesperado Visitante...
           Intimamente eu sempre aguardei este encontro, sempre busquei a espiritualidade e a compreensão desta vida, o sentido de estar aqui. Sempre acreditei em um Deus de amor que se fazia presente em tudo ao meu redor, mas esta era ainda uma idéia intelectiva a respeito de Deus. Experimentar Deus, sentir-se parte de Deus, é algo muito diferente, é uma vivência pessoal a ser experimentada por cada um de nós, não importa o caminho escolhido para tal. Deus está disponível para todos que querem acolhê-LO, que querem banhar-se em Suas águas de amor e plenitude, e que abrem espaço às transformações profundas em seu ser.

Do livro De Volta à Casa do Pai, Ana Liliam

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