quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Olhos nos olhos.


Em nossa lida diária não mais olhamos nos olhos de nossos semelhantes, não mais sabemos nos entregar ao silêncio de um encontro, ao calor de um abraço. Em nossa vida, há muito tempo cremos que estamos, drasticamente, separados uns dos outros, que nossos países estão separados por fronteiras e que nossas religiões estão separadas por diferentes crenças e rituais. Acreditamos na separação desde que nos individuamos como seres humanos, há milhares de anos atrás.
Agora estamos diante de um novo paradigma, estamos reaprendendo que a separatividade é uma ilusão, estamos todos unidos em uma mágica e invisível teia. A globalização, a tecnologia e a economia nos mostram que o mundo ficou pequeno e que as fronteiras são precárias. Os países ricos não estão a salvo da miséria e da violência dos países pobres. Os ricos e poderosos não estão imunes ao sofrimento e a dor. A separação é uma ilusão, que cai por terra quando vemos a dor que há no mundo.
Estamos todos juntos numa nave chamada Terra, com um destino incerto, a ser definido por todos nós. Não estamos protegidos da guerra, do ódio, da violência, da doença, da fome, mas somos responsáveis e co-criadores da dor no mundo, se acreditamos que não seremos alcançados por ela. Mas também podemos criar a paz e a harmonia no planeta, se formos capazes de criar a paz e a harmonia em nós. Podemos expandir esta paz para nossos familiares, nossos amigos, nosso ambiente de trabalho. Podemos trazer idéias e atitudes que ajudem a salvar o planeta da poluição, da destruição, da miséria e da ignorância. Cada pequena atitude é como o elo de uma corrente, uma corrente de amor e paz que será capaz de salvar o planeta.
A ciência nos coloca diante de um novo modelo, o modelo holográfico, em que uma imagem pode ser dividida em inúmeras partes, em que todas irão sempre retratar a primeira imagem, em sua totalidade. A cada divisão, a imagem original se repete inteira, embora menor e menos nítida. O todo está presente na parte, e a parte no todo. Em nossa sociedade também fazemos parte de um todo chamado humanidade, que faz parte deste planeta que habitamos, que faz parte de um sistema solar, que faz parte de outros sistemas, que se integram com o universo.
Quando novamente nos aproximamos das pessoas ao nosso redor, de uma forma amorosa e respeitosa, quando não mais nos sentimos separados de cada ser vivente em nosso planeta, é como se voltássemos a unificar as imagens de um holograma, e assim permitimos que a imagem criada volte a sua definição e nitidez original. É assim que curamos o planeta, quebrando as diferenças e muros que nos separam das pessoas de nossa família, de nossos amigos, de nossa comunidade. Assim criamos uma imagem cada vez mais nítida de um todo. O todo que somos, o todo que está incluído na parte que somos do universo.
Nos ver na totalidade nos propõe um novo olhar, um olhar inteiro, amoroso, cheio de compaixão e respeito pela individualidade de cada um. Os olhos são como as janelas da alma, que deixam ver o mais profundo em nosso ser. Olhar nos olhos é desnudar a alma, é se entregar, é confiar, é sobretudo, amar. Por isso este olhar é tão profundo, tão emocionante e tão difícil. Este olhar pode ser perturbador, porque nunca nos ensinaram a olhar nos olhos, com toda nossa verdade e inteireza. E cabisbaixos, andamos pela vida, perdidos de nós mesmos, perdidos da unidade do universo a qual sempre pertencemos. Mas podemos reaprender este olhar, e de perturbador e inquietante, este olhar se torna prazeroso e mais emocionante.
 Através deste olhar estamos falando por nossa alma, e se já descobrimos a Luz que nos habita, é através deste olhar que iluminamos o mundo. E nosso olhar pode então espalhar as estrelas que um dia catamos no céu, pode ser testemunho de nossa origem celestial, de nossa filiação divina. Através de nosso olhar encontramos um novo nível de relacionamento, onde somos quem realmente somos, Amor e Luz.
Neste nível, não estamos mais somente no nível físico, emocional ou mental, ascendemos para o quarto nível, onde nos relacionamos altruísticamente, generosamente com aqueles que estão a nossa volta. Através deste olhar, ascendemos para os níveis espirituais, onde podemos ver cada um em seu potencial luminoso. “_ O Deus que em mim habita, saúda o Deus que em ti habita!” É este o sentido deste olhar, desvendar Deus em cada um de nós. E este olhar pode ser mais que um aprendizado, pode se tornar uma grande corrente a nos unir sobre a terra.

do livro De Volta à Casa do Pai, Ana Liliam

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