sábado, 19 de novembro de 2011

Água

          

            Eu sou água. Está escrito no meu horóscopo chinês. E como água me sinto cada vez mais abundante... E como água que sou me sinto cada vez mais plena, mais fresca. E é assim que me vejo buscando caminhos, escorrendo por entre pedras, cascatas, a procura do mar...
Ora sou lago límpido, de águas profundas, que refletem o firmamento... Como lago, aguardo ansiosa a chuva, o vento, a encrespar minhas águas, a mover meu fundo... Busco me desmanchar, me revolver, e ainda eu mesma sou, água.
Como água nada me retém. Evaporo-me, me transformo, me transmuto, fujo, escapo, para de novo água ser, e escorrer. Como água penetro, tomo todas as formas, porém nenhuma. Alimento, sacio todas as sedes,  e nada sou, mas também tudo sou, a essência da vida. Minha mente é inquieta, como inquietas são as águas, minha mente é viajante errante, meu coração é transbordante de todas as emoções de todos os sentimentos...
Navegante errante em forma humana, por vezes me perco em braços de rio, para depois me achar e de novo me entregar nos braços da vida... Vida que é vida, sensual, clamante, porém suave como é o carinho das águas. Que também pertinente é, e até as pedras fura, transpassa em seu caminho...
Quem água é nunca pára. A mente e coração buscam sempre se integrar com o mar. O mar que é vida, que é vastidão, que é céu. O mar que é a solidão mais profunda... O mar que é comunhão, berço de toda vida, início e fim da jornada...
Ana Liliam

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