sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Morte não é Nada - Santo Agostinho

 
"A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo. Me dêem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas? Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
 
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O silêncio, por Frei Betto


É ruidoso o mundo em que vivemos. Há demasiadas máquinas de fazer barulho: telefone, fax, rádio, TV, veículos, campainhas. Nosso cérebro habitua-se tanto à sonoridade excessiva que custamos a desligá-lo. Uns preferem remédios que façam dormir. Outros, a bebida.

Assusta-nos a hipótese de manter a casa em silêncio. Decretar o jejum de ruídos; desligar rádio, TV e telefone. Isso pode levar ao pânico. A “louca da casa”, a imaginação, entra em rebuliço, supondo que há uma notícia importante a ser ouvida ou um telefonema de urgência a ser recebido. Ou experimenta-se o medo de si mesmo. Sentir-se ameaçado por si mesmo é uma forma de loucura freqüente em quem, súbito, vê-se privado de sons exteriores. Como alguém preso no elevador. Não é a claustrofobia que amedronta. É o peso de suportar-se a si mesmo, entregue aos próprios ruídos interiores.

No antigo mundo rural, o silêncio era companheiro. Não havia meios de comunicação e as distâncias, cobertas a pé, a cavalo ou de charrete, faziam do viajante solitário cúmplice do silêncio emanado da paisagem. A fé evocava a presença invisível de Deus, santos ou fantasmas.

O silêncio é a medida do amor. Só quem se ama sabe curtir o silêncio a dois. O silêncio queima quando há muito o que falar atravessado na garganta. Se a presença do outro incomoda, o silêncio pesa toneladas. E, na falta de diálogo, corre-se o risco de explosão. É qual uma represa prestes a romper o dique e afogar quem se encontra pela frente. De repente, a emoção reprimida arrebenta e, em volta, chovem, em estilhaços, o respeito, a cortesia, a honra própria e a alheia. As palavras multiplicam-se, sôfregas, na tentativa de aliviar a tensão.

Os monges nutrem-se de silêncio. O monge vem de monachós, solitário. Nos mosteiros e conventos aprendemos a gostar da solidão, ouvir a voz interior, estar só para sentir-nos intimamente acompanhados, tapar os ouvidos para escutar e auscultar Aquele que faz em nós Sua morada. Enfim, fechar os olhos para ver melhor.

Os índios tribalizados sabem fazer silêncio. Como os monges, valorizam as palavras. Assim são também os orientais, comedidos em suas expressões. Já os ocidentais são parladores, falam muito e dizem pouco.

No Evangelho, Jesus recomenda não multiplicarmos as palavras na oração. O Pai sabe de que necessitamos. Todavia, somos desatentos ao conselho. No Ocidente, falamos de Deus, a Deus, sobre Deus. Quase nunca deixamos Deus falar em nós. Agimos como aquela tia que liga para minha mãe: fala tanto, que nem se dá conta de que mamãe larga o fone, vai à cozinha mexer a panela e retorna.

O silêncio constrange quem não sabe acolhê-lo. Imagine uma refeição na qual, de repente, todos se calam em torno da mesa. No entanto, outrora os monges comiam calados. A única voz era a do leitor, que cuidava de nos alimentar o espírito enquanto nutríamos o corpo.

A meditação é a escola do silêncio. Como a nossa cultura é avessa a essa prática, tememos fazer calar as vozes exteriores e interiores. Quem medita sabe mergulhar no silêncio e enxergar o que não se pode ver à superfície.
Há pessoas tão densas de silêncio que, sem nada dizer, bradam alto. O silêncio do sábio é eloqüente, como o do santo é desafiador. Ao se calarem, excluem-se da competição verborrágica. Por isso, sobrepõem-se aos demais. Guardam para si as pérolas que os outros atiram aos porcos.

Quem muito se explica, muito se complica, pois teme a própria singularidade.
É terrível o espectro de uma parcela dessa geração que se nutre de ruídos desconexos. Comunica-se por um código ilógico; balbucia letras musicais sem sentido; entope de sons os ouvidos, na ânsia de preencher o vazio do coração. São seres transcendentes, porém cegos. Trafegam por veredas perdidas, sem consciência de que procuram fora o que só pode ser encontrado dentro.

O silêncio não é quebrado apenas pelos ruídos, mas também por símbolos, logotipos, outdoors, linhas arquitetônicas de mau gosto. A poluição visual desgasta o espírito. A cidade encobre sua beleza com a propaganda que sujeita o olhar à solicitação incessante.

Quem cala, consente? O sábio, “com sente”. Capta melhor o drama ou a alegria alheia. Compaixão. Qual um radar, não emite sons e, no entanto, apreende o que se passa em volta.

O índex do totalitarismo do consenso neoliberal decreta, hoje, o silêncio dos conceitos altruístas. Grita-se competitividade, concorrência, “performance”, disputa, privatização... Cala-se solidariedade, cooperação, doação, partilha, socialização. Edifica-se a barbárie em nome de uma civilização prometeica, na qual muitos são os excluídos e poucos os escolhidos.

Saber calar, saber falar; é alcançar a sabedoria. Só quem conhece a beleza do silêncio, dentro e fora de si, é capaz de viajar por seu próprio mundo interior - pacote impossível de ser encontrado em agências de turismo. Trata-se de uma exclusividade das tradições religiosas milenares.

• Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff, de Mística e Espiritualidade (Rocco), entre outros livros.

sábado, 9 de julho de 2011

Torne-se oceano

Diz-se que, mesmo antes de um rio desaguar no oceano, ele treme de medo...
Olha para trás, para toda jornada:
as montanhas,
os cumes,
os vales,
o longo caminho sinuoso através das florestas,
através dos povoados,
e, vê a sua frente um oceano tão imenso, tão vasto,
que entrar nele, nada mais é do que desaparecer para sempre...
Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar...
Ninguém pode voltar...
Voltar é impossível nessa existência.
Podemos apenas, ir em frente...
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano...
E, somente quando ele entra é que o medo desaparece.
Porque, somente então, o rio perceberá, que não se trata de desaparecer no oceano, mas, tornar-se o próprio oceano!
Por um lado o medo da transformação.
Por outro lado o grande renascimento. ..
Assim somos nós...
Só podemos nos transformar e seguir em frente, se perdermos o medo, nos arriscarmos e renascermos. ..
Portanto, Coragem!
Avance firme!
Torne-se um Oceano!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Abraços conscientes


O abraço é um belo costume ocidental, e nós do Oriente gostaríamos de lhe acrescentar a prática da respiração consciente. Quando você abraçar uma criança, sua mãe, seu marido ou seu amigo, se inspirar e expirar três vezes, sua felicidade se multiplicará pelo menos dez vezes.

Se você estiver distraído, pensando em outras coisas, seu abraço também será distraído, não muito profundo, e você pode nem apreciar muito esse abraço. Por isso, ao abraçar seu filho, seu amigo, seu cônjuge, lembre-se da minha recomendação de antes inspirar e expirar conscientemente numa volta ao momento presente. Depois, enquanto estiver abraçando a pessoa, respire três vezes conscientemente, e o abraço será melhor do que qualquer outro.

Praticamos a meditação do abraço num retiro para psicoterapeutas no Colorado. Um participante, ao voltar para casa em Filadélfia, abraçou a mulher no aeroporto como nunca fizera antes. Graças a esse abraço, a esposa participou do nosso retiro seguinte, em Chicago.

Demora algum tempo para que as pessoas se acostumem a esse tipo de abraço. Se você estiver se sentindo um pouco vazio por dentro, pode querer bater delicadamente nas costas do seu amigo enquanto o abraça para provar que realmente está ali. Para realmente estar ali, porém, basta que você respire, e de repente ele se tornará inteiramente real. Vocês dois de fato existem naquele momento. Pode ser um dos melhores momentos da sua vida.

Imagine que sua filha apareça diante de você. Se você realmente não estiver ali - se estiver pensando no passado, preocupado com o futuro ou dominado pela raiva ou pelo medo - a criança, embora parada ali à sua frente, não existirá para você. Ela é como uma sombra, e você também pode ser como uma sombra. Se quiser estar com ela, terá de voltar para o momento presente. Com a respiração consciente e a união do corpo e da mente, você volta a ser uma pessoa real. Se você se torna uma pessoa real, sua filha também se torna real. Ela é essa presença maravilhosa, que torna possível nesse momento um belo encontro com a vida. Se você a abraçar e respirar, despertará para a preciosidade que é o ser amado e a vida se faz presente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A felicidade é mesmo um estado mágico e duradouro?


A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.
'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática. 'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma', respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes' Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria Beckham?

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera.*

Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro 'Mulheres - Por que Será que Elas...', da Editora Globo, enviado por Irene.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Definição de filhos por José Saramago:

 
"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".

enviado por Ceiça

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A crise segundo Einstein


"Não podemos pretender que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo.
 
A crise é a maior benção que pode ocorrer com as pessoas e países,
porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como
o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os
descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo, sem ficar superado.


Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio
talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A
verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das
pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e
soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida
é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na
crise que aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la
e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la"

Albert Einstein

domingo, 3 de julho de 2011

PAZ DURADOURA

Deixo-lhes a paz, dou-lhes a minha paz; não a dou como a dá o mundo. Assim encontramos no Evangelho de João o registro das palavras do Cristo.

A paz é algo muito buscado pelos homens, sem contudo ter encontrado neles verdadeiro abrigo.

Pode-se mesmo afirmar que, desde as épocas mais recuadas, o homem tem guerreado com seu semelhante, de forma constante.

Quando, em um ponto do planeta, cessam as lutas, em outros tantos elas aparecem. O homem afirma desejar a paz, mas enquanto a discute, planeja a guerra.

É por isso que Jesus diferencia a Sua da paz do mundo. A paz do mundo é efêmera. Dura exatamente o período da boa vontade dos homens.

Mesmo à mesa das negociações, quando as nações em conflito se dispõem ao cessar fogo, o que se observa é a desconfiança e a má vontade falando alto.

A paz do mundo é feita de condições que devem ser respeitadas, a fim de que perdure.

A paz de que fala Jesus é incondicional e duradoura. Conquista pessoal, deve partir do íntimo para fora.

Somente um coração em paz pode exteriorizá-la, pois que, ainda no dizer do Mestre Nazareno: A boca fala do que se encontra pleno o coração.

A voz humana está carregada de vibrações. Os gritos intempestivos e as exclamações inoportunas equivalem a pedradas mentais.

As discussões sem proveito somente fomentam balbúrdia, além do que se constituem em desperdício de energias.

Falar em tom moderado é exercício salutar para a paz.

Aprender a calar, em meio ao tumulto, é contribuição para a paz.

Perseverar no trabalho anônimo, mesmo quando muitos desertem e busquem somente louros e aplausos, é medida preventiva de paz.

A paz a que se referia Jesus é a que sabe calar ofensas e relevar atitudes grosseiras. É a que compreende que a dor que nos dilacera a alma é justa, pois cada um recebe segundo suas obras.

A paz do Cristo é a que confere certeza inabalável nas forças espirituais superiores e não se abate ante o mal ou os rumores do mal.

É a que estende mão amiga ao ofensor e se traduz em tranquilidade quando o medo domina as massas, perante negras expectativas de desgraças que, de um modo geral, jamais se concretizam.

A paz do Cristo é a paz da consciência reta que não se impacienta ante as opiniões desfavoráveis dos outros e trabalha, incansável, construindo o dia radioso do amanhã.

***
O problema da paz é questão de fraternidade, em todas as atitudes.

Não pode haver paz por imposição. A paz tem que ser um reflexo de sentimentos generalizados, por efeito de esclarecimento das consciências.

Redação do Momento Espírita com base no cap. Opiniões alheias e cap.
Fala em paz, do livro Calma, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de
 Francisco Cândido Xavier, ed. Geem e no verbete Paz do livro
Dicionário da alma, por Espíritos Diversos, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

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