terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O verdadeiro perdão!!


O homem aproximou-se do espinheiro. Ergueu a mão para tocá-lo e um “ai!” de dor brotou de seus lábios. 
Um rubi de sangue brilhou no seu dedo. O homem limpou o sangue e disse fitando o espinheiro:

- Eu te perdoo!

Admirei e louvei dentro de mim aquele homem que possuía o doce dom de perdoar.

E aconteceu que veio outro homem. Parou junto ao espinheiro, ergueu a mão para tocá-lo, e o espinho o picou. Mas o homem limpou em silêncio a ferida, contemplou com amor o espinheiro, e não disse:

- Eu te perdoo!

Tive, então, este pensamento:

- O primeiro homem era um santo: sabia perdoar! Este outro não sabe!

Mas o meu Senhor, interrompendo a minha cisma, disse:

- Quem não sabe é você!

- Como, Senhor? Então aquele homem…

- Sim, é um santo, porque perdoou quando foi preciso!

- E o segundo?

- É mais santo ainda, porque não tem necessidade de perdoar.

E como eu ficasse perplexo, com o olhar perdido na incompreensão e na dúvida, o Senhor me disse:

- O espinheiro fere, porque é espinheiro. Ainda que ele quisesse jamais poderia perfumar. O primeiro homem sentiu a dor da picada, e como não sabia nada, atribuiu a culpa ao espinheiro. Mas, como era puro de coração, perdoou. O outro homem sentiu a mesma dor, mas como sabia que todo espinheiro fere, pois o espinheiro é assim, não se sentiu ofendido. E como nada tinha a perdoar, não perdoou.

Desde então sofro menos quando os espinhos me ferem. Dói-me na alma a ferida, mas minha alma sabe que não há ofensa. E como não há ofensa, não há perdão. É assim que do meu peito brota um piedoso amor pelo espinho que não chegou a ser flor. Meu sofrimento se transforma em ternura porque já aprendi a não perdoar!

Autor: Santiago Argüello

Contribuição: Augusto Loureiro, enviado por Viviane

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