sábado, 27 de outubro de 2012

Cardiologista brasileiro tem encontro no Vaticano para discutir a correlação entre ciência e fé


5 de janeiro de 2012

A revista Exame publicou em seu site a notícia de que um estudo norueguês revelou que pessoas que vão à igreja sofrem menos de hipertensão. (detalhes http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/saude/noticias/pessoas-que-vao-a-igreja-sofrem-menos-de-hipertensao-diz-estudo)

No Brasil, o médico cardiologista, Dr. Roque Marcos Savioli, já trata sobre esse assunto há alguns anos, tendo lançado os livros: Milagres que a medicina não contou; Fronteiras da Ciência e da Fé e Curando Corações, todos falando sobre a importância da fé na recuperação dos pacientes.

No final de dezembro de 2011 Dr. Roque Savioli e a sua esposa, a nutricionista Dra. Gisela Savioli, estiveram no Vaticano em um encontro entre médicos e autoridades eclesiásticas da Igreja Católica para discutir a correlação entre ciência e fé. Eles integravam a delegação de médicos franceses, liderados pelo monsenhor Dominique Rey, Bispo de Toulon.

Dr. Roque e Dra Gisela Savioli estiveram na academie De La Vie, discutindo assuntos relacionados à saúde e espiritualidade.

Autor de vários livros na Europa, entre eles La Guérison des Trois Coeurs, Dr. Roque Savioli é sempre convidado para discutir esse tema com profissionais de saúde da França, como aconteceu neste ano e, em dezembro de 2009 em Paris, quando palestrou: Medicine et Spiritualité- Enfin Reconcilié?

“O ser humano é composto por três dimensões: a física, a psíquica e a espiritual. São dimensões que coexistem harmonicamente, mantendo a homeostase determinante da saúde global do indivíduo. Distúrbios em quaisquer dessas dimensões podem ocasionar disfunções tanto no corpo como no psiquismo e no espírito. Por isso em todos os meus livros faço um alerta para que homens e mulheres cuidem e prestem atenção nessas três dimensões. Na física com a prática de exercícios, cuidados com a alimentação, consultas médicas freqüentes, no caso específico das mulheres observar as oscilações hormonais através de exames etc… Quando se fala na psíquica o cuidado com a depressão, o estresse, fatores que comprovadamente têm grande influência na saúde do corpo. E, não podemos nunca esquecer do lado espiritual. Existem comprovações científicas, anteriores até a essa pesquisa divulgada ontem, de que a fé pode alterar a evolução das doenças, independente de religião.”, afirma Dr. Roque Savioli

À respeito de como o assunto é tratado pela medicina, Dr. Roque explica: “Até pouco tempo, muitos médicos ainda acreditavam que a religião fosse algo muito pessoal e irrelevante para a saúde. Mas pesquisas como essas vêm, no entanto, mudando esse tipo de mentalidade, tornando cada vez mais presentes os valores religiosos dentro dos consultórios médicos. Muitos motivos colaboram para isso, e assim as grandes escolas de medicina estão reformulando seus ensinamentos para um estudo do homem integral. Estima-se que os doutores do século XXI possam aplicar a seus pacientes a mais nova tecnologia no tratamento das doenças, além de oferecer condições para surpir suas necessidades sociais, psicológicas e espirituais. É comprovado cientificamente que a fé faz a diferença na evolução das doenças. No meu livro Fronteiras entre a Ciência e a Fé esse assunto é tratado em todos os seus detalhes, inclusive com o depoimento de pacientes.”

Dr. Roque Savioli está disponível para entrevistas sobre o assunto.

Dr. Roque Savioli é Doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Médico Supervisor da Divisão Clínica do INCOR (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da FMUSP – Unidade de Cardiogeriatria e Cardiopatia na Mulher. Coordenador do Centro de Atenção ao Coração da Mulher – Hospital Alemão Oswaldo Cruz. É autor dos livros: Milagres que a medicina não contou; Depressão: Onde está Deus?; Um Coração Saudável, FRONTEIRAS DA CIÊNCIA E DA FÉ, CURANDO CORAÇÕES, NÃO ENTRE EM PÂNICO, MÉDICO GRAÇAS A DEUS, LA GUERISON DES TROIS COEURS. Mais informações:

Adriana Franco
Souza Franco Comunicação
Tel: (11) 4177-5821 / 4365-1173

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hoje não quero sonhar




Se aceito que sou um prisioneiro dentro de um corpo, num mundo em que todas as coisas que aparentam viver parecem morrer, então o meu Pai é prisioneiro comigo. E é nisso que eu acredito quando afirmo que tenho que obedecer às leis que o mundo obedece, que as fragilidades e os pecados que percebo são reais e não se pode escapar. Se sou limitado de qualquer forma, não conheço o meu Pai e nem o meu Ser e estou perdido para toda realidade. Pois a verdade é livre e o que é limitado não faz parte da verdade. Pai, nada peço senão a verdade. Já tive muitos pensamentos tolos sobre mim mesmo e a minha criação e trouxe um sonho de medo para a minha mente. Hoje não quero sonhar. Escolho o caminho para Ti no lugar da loucura e do medo. Pois a verdade é segura e só o amor é certo.

 Um Curso Em Milagres – Lição 278, do blog Um Curso em Milagres Ilustrado

domingo, 21 de outubro de 2012

Mensageiros Disfarçados




E se você enxergasse as pessoas que te deixam louco como pessoas que estão aqui para te ajudar a crescer? E se elas batessem à sua porta e dissessem: "Olá, fui enviado como um mensageiro para lembrá-lo de que você deve lidar com a sua raiva, impaciência, intolerância, etc. Portanto, vou fazer algo que vai te deixar maluco para que você tenha a oportunidade de escolher."

Está na hora de começar a reconhecer todas as pessoas como mensageiros da Luz.

sábado, 13 de outubro de 2012

Julgar



O medo de que outros nos julguem, geralmente, está relacionado ao nosso auto-julgamento projetado sobre os outros. Você pode sair de qualquer projeção e lidar com qualquer julgamento que apareça, perdoando-se por se julgar, seja pelo que for. Talvez, precise fazer isso muitas e muitas vezes por dia, mas a persistência pode afrouxar as amarras do julgamento.

Se olhar honestamente, poderá perceber no momento que estiver acontecendo de estar em seu padrão negativo contra os outros. Nesse primeiro momento em que estiver tentado a julgar é quando você tem a melhor oportunidade de parar de julgar.

John Morton

enviado por Irene

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A Grande Crise


...Jesus volta para convidar-nos à compaixão.

Se não puderdes perdoar, pelo menos, desculpai aqueles que vos ferem, que vos magoam, e se não tiverdes forças para desculpar, pelo menos, permiti que a compaixão aloje-se nas paisagens tristes dos vossos sentimentos magoados.

A grande crise moral da sociedade anuncia a era nova.

Buscai ouvir, e escutareis em toda parte a musicalidade diferente de um mundo novo; fazei silêncio interior, e ouvireis a sinfonia dos astros.

Tende a coragem, pois, de amar, em qualquer circunstância, por que se amardes somente àqueles que vos amam, mais não fazeis do que retribuir, no entanto, se fordes capazes de amar a quem vos alveja com os petardos terríveis da ingratidão, da ofensa, da perseguição gratuita, vosso nome será escrito no livro do reino dos céus e uma alegria inefável tomará conta de vossos corações preenchendo o vazio existencial.
Filhos e filhas da alma!

Vossos guias espirituais acercam-se-vos, e em torno dos vossos pensamentos enviam mensagens de paz para diminuir a agressividade e a violência.

Tornai-vos pacíficos no lar, no relacionamento, nas parcerias, no trabalho, na rua, no clube... Onde estiverdes mantende a paz, sendo pacíficos para vos transformardes em pacificadores.

O mundo é o que dele têm feito os seus habitantes, mas, crede em mim, nunca houve tanto amor na Terra como hoje.

A violência e a exaltação do crime ganham manchetes, vendem na grande mídia alucinando as vidas, mas nos alicerces da sociedade o amor é o paradigma que nutre as existências de milhões de mães e pais anônimos, assim como de filhos abnegados e estóicos que compreendem os mártires e os companheiros abnegados.

Não vos envergonheis de amar!

Na época da tirania o vosso amor é semelhante à terra que, exultante, arrebenta-se em flores como gratidão a Deus.

Sois as divinas flores da humanidade agradecendo a Deus a presença de Cristo Jesus na Terra.

Ide, ide na paz! Amai de tal forma que uma dor imensa de compaixão expresse o vosso amor para a vossa plenitude.

É a mensagem dos Espíritos-espíritas que aqui estamos convosco neste dia dedicado à gratidão em nome do amor de Jesus-Cristo pelas suas ovelhas.

Muita paz, meus filhos!

Que o Senhor de bênçãos vos abençoe e permaneça Ele conosco hoje, amanhã e sempre.
São os votos do companheiro paternal e humilde de sempre,
Bezerra. (*)

(Mensagem psicofônica através do médium Divaldo Pereira Franco, ao encerramento da sua conferência na Creche Amélia Rodrigues, na noite de 30 de setembro de 2012, em Santo André, (SP).

A mensagem foi revisada pelo autor espiritual
(* ) Bezerra de Menezes

enviado por Izabel

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Humildade x Orgulho



Você já deve ter ouvido muitas vezes a palavra humildade, não é mesmo?

Essa palavra é muito usada, mas nem todas as pessoas conseguem
entender o seu verdadeiro significado.

O termo humildade vem de húmus, palavra de origem latina que quer
dizer terra fértil, rica em nutrientes e preparada para receber a
semente.

Assim, uma pessoa humilde está sempre disposta a aprender e deixar
brotar no solo fértil da sua alma, a boa semente.

A verdadeira humildade é firme, segura, sóbria, e jamais compartilha
com a hipocrisia ou com a pieguice.

A humildade é a mais nobre de todas as virtudes, pois somente ela
predispõe o seu portador à sabedoria real.

O contrário de humildade é orgulho, porque o orgulhoso nega tudo o que
a humildade defende.

O orgulhoso é soberbo, julga-se superior e esconde-se por trás da
falsa humildade ou da tola vaidade.

Alguns exemplos talvez tornem mais claras as nossas reflexões.

Quando, por exemplo, uma pessoa humilde comete um erro, diz: "Eu me
equivoquei", pois sua intenção é de aprender, de crescer. Mas quando
uma pessoa orgulhosa comete um erro, diz "Não foi minha culpa", é
porque se acha acima de qualquer suspeita.

A pessoa humilde trabalha mais que a orgulhosa e por essa razão tem mais tempo.

Uma pessoa orgulhosa está sempre "muito ocupada" para fazer o que é
necessário. A pessoa humilde enfrenta qualquer dificuldade e sempre
vence os problemas.

A pessoa orgulhosa dá desculpas, mas não dá conta das suas obrigações
e pendências. Uma pessoa humilde se compromete e realiza.

Uma pessoa orgulhosa se acha perfeita. A pessoa humilde diz: "Eu sou
bom, porém não tão bom como eu gostaria de ser".

A pessoa humilde respeita aqueles que lhe são superiores e trata de
aprender algo com todos. A orgulhosa resiste àqueles que lhe são
superiores e trata de pôr-lhes defeitos.

O humilde sempre faz algo mais, além da sua obrigação. O orgulhoso não
colabora, e sempre diz: "Eu faço o meu trabalho".

Uma pessoa humilde diz: "Deve haver uma maneira melhor para fazer
isto, e eu vou descobrir". A pessoa orgulhosa afirma: "Sempre fiz
assim e não vou mudar meu estilo".

A pessoa humilde compartilha suas experiências com colegas e amigos, mas o
orgulhoso as guarda para si mesmo, porque teme a concorrência.

A pessoa orgulhosa não aceita críticas, a humilde está sempre disposta
a ouvir todas as opiniões e a reter as melhores.

Quem é humilde cresce sempre, quem é orgulhoso fica estagnado, iludido
na falsa posição de superioridade.

O orgulhoso se diz cético, por achar que não pode haver nada no
universo que ele desconheça, o humilde reverencia ao criador, todos os
dias, porque sabe que há muitas verdades que ainda desconhece.

Uma pessoa humilde defende as ideias que julga nobres, sem se importar
de quem elas venham. A pessoa orgulhosa defende sempre suas ideias,
não porque acredite nelas, mas porque são suas.

Enfim, como se pode perceber, o orgulho é grilhão que impede a
evolução das criaturas, a humildade é chave que abre as portas da
perfeição.

Você sabe por que o mar é tão grande? Tão imenso? Tão poderoso?

É porque foi humilde o bastante para colocar-se alguns centímetros
abaixo de todos os rios.

Sabendo receber, tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro, se
quisesse ficar acima de todos os rios, não seria mar, seria uma ilha.
E certamente estaria isolado.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Silêncio

Miguel Tió
“Ficar em silêncio não é apenas deixar de falar, mas educar os ouvidos para escutar tudo que está a nossa volta. Mesmo no meio de um som estrondoso de uma orquestra, o bom maestro consegue reconhecer uma flauta que esteja desafinada; da mesma maneira, nós precisamos treinar nossa audição, até que ela seja capaz de ouvir a voz de Deus no meio do mercado.

“O homem moderno considera o silêncio algo muito aborrecido. Acha difícil ficar quieto - está sempre ansioso para fazer algo, dar um conselho, colocar um trabalho de pé; e termina escravo de sua compulsão para agir”.

“Quando você se acostumar à quietude, quando conseguir passar alguns minutos do seu dia em silêncio, então terá realmente liberdade para decidir sobre sua vida. Diz o poeta Gibran: “quando o seu pensamento não encontra raízes em seu coração, tende a ficar o tempo todo em sua boca”.
(Anthony de Mello)

Na natureza, a soberania pertence às forças silenciosas. 
A lua não faz o menor ruído e, não obstante, arrasta milhões de toneladas de água do mar no vaivém obediente ao seu comando; não ouvimos o sol se levantar, nem as estrelas se ocultarem. 
Assim, a aurora da nova vida surge silenciosamente no homem, sem que nada a anuncie ao mundo.
(Paul Brunton)

Muitos perguntam como começar a busca espiritual, mas na verdade essa procura não tem um começo definido: a certa altura da vida tomamos consciência de que ela existia. 
Esse despertar para a busca está inserido na evolução do ser, que é contínua. 
No princípio pensa-se que a vida é uma coisa e a busca espiritual outra. 
 Mas não é assim: tudo o que acontece em nossa vida nos leva gradualmente à união com a totalidade.
(Trigueirinho)

Quando o silêncio se fizer mais pesado ao redor de teus passos, aguça os ouvidos e escuta. 
A voz do amor ressoará de novo na acústica de tua alma e as grandes palavras que os séculos não apagaram voltarão mais nítidas ao círculo de tua esperança, para que tuas feridas se convertam em rosas e para que o teu cansaço se transubstancie em triunfo.
(São Francisco de Assis)

É fácil ver os pontos fracos dos outros, mas para ver nossos próprios pontos fracos precisamos ir para dentro, em silêncio. 
Através desse mergulho interno é possível perceber o que precisamos mudar. Quando fazemos essa mudança nos tornamos um espelho para os outros. 
Ter realização é ter ‘olhos de verdade’ para ver o interior. 
Em que medida nos internalizamos? 
Até que ponto nos concentramos? 
Poder do silêncio significa ser verdadeiro e tornar outros verdadeiros também. 
O poder do silêncio tem grande influência no meio e pode nos ajudar em qualquer situação. 
Quando acumulamos o poder do silêncio acumulamos estabilidade. 
O silêncio termina com o desperdício que impede a alma de olhar para si e transformar-se.
(Dadi Janki)  

domingo, 7 de outubro de 2012

A Montanha no oceano - Meditação e compaixão no budismo e no cristianismo


Images intégrées 1

“Tanto no cristianismo quanto no budismo, o objetivo da meditação é chegar à pureza de coração e de espírito, que fazem de todo homem o receptáculo ou o espelho sem mancha da pura luz.
A acolhida desta luz, a irradiação e presença do Ser incriado introduzem o homem num estado de paz que não depende de circunstâncias (santidade, humores, ambiente, etc), quer dizer, um estado de paz não psíquico, mas espiritual, ontológico. Busca e acolhimento de um silêncio e de uma paz que não são deste mundo e que, no entanto, podem ser não somente pressentidos, mas vividos neste espaço-tempo...”

Editora Vozes, 2002

http://www.jeanyvesleloup.com/br

sábado, 6 de outubro de 2012

Tudo de novo ou tudo novo?



Orson Peter Carrara

A posição pessimista responderá ou perguntará, para começar o dia ou responder pelos compromissos do dia: Tudo de novo!?  Já a posição otimista dirá: Tudo novo!

Sim, é uma questão de ótica. Diante de um novo dia ou diante de uma tarefa ou compromisso, ao invés da reclamação de dizer que vai fazer tudo igual outra vez, não é melhor encarar como se novo fosse? Sim, encontrar motivação em tudo que faz como se fosse tudo novo.

Encarando as providências e responsabilidades diárias como se novas fossem, dedicando a elas atenção e boa vontade, tudo flui com mais naturalidade. O contrário ocorre quando enfrentamos os compromissos com a má vontade de quem diz: tudo de novo?

Aliás, você sabe como se comporta um pessimista? Ao levantar-se de manhã, senta-se na cama, olha para o relógio, põe as duas mãos na cabeça e diz: Vai começar tudo de novo?

Já o otimista, levanta-se, senta-se na cama, olha as horas e já diz: Nossa! Já essas horas? Obrigado meu Deus. Vamos em frente, que o dia vai pegar.  E vai animado para o tudo novo daquele dia que começa.

Isso me faz lembrar o personagem Horácio, do Maurício de Souza. Lembra-se dele? É um dinossaurozinho animado, sempre de boa vontade com as ocorrências. Em determinadas quadras de suas histórias, porém, viveu uma situação que bem cabe na presente reflexão:

Estava nosso personagem na solidão de uma paisagem, quando uma nuvem baixa de poeira o envolveu completamente, escondendo-o de um leão faminto de passagem. Horácio reclamou do pó, o leão passou sem percebê-lo e a nuvem reclamou: seu ingrato! Não percebeu que o protegi?

Assim ocorre conosco. Não percebemos que a rotina diária nos amadurece nas experiências. Por outro lado, as adversidades muitas vezes significam proteção que nem sempre percebemos, desviando-nos de ocorrências que podem ser dramáticas ou altamente prejudiciais.

Por isso é preciso encarar a vida com boa vontade, pois vivemos para aprender. Levantar-se com bom ânimo, enfrentar com coragem os desafios diários e sempre procurar entender que o enfrentamento das situações tem finalidades educativas que nos amadurecem.

Portanto, nada de medo. Prudência, sim, mas também ânimo, coragem, bom humor, boa vontade.

Para que nossa vida não seja tudo de novo e sim tudo novo a cada dia. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Memórias, sonhos e reflexões



O famoso psicólogo suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) teve uma vivência inédita no ano de 1944, quando estava doente, que poderia ser descrita como uma visão ou uma impressionante experiência-de-quase-morte (EQM), que ele relatou por escrito e que está no livro “Memories, Dreams and Reflections“, num capítulo intitulado “Visões“. Como o criador da Psicologia Analítica e desenvolvedor da teoria do inconsciente coletivo e dos arquéticos, é curioso e rico ler o relato de Jung e seus encontros com formas primais e seu “conhecimento instantâneo” nessa experiência inusitada e inspiradora. No trecho traduzido que segue abaixo, Jung fala de impressionantes visões espaciais da Terra (que para nós hoje é fácil visualizar, com tantas filmagens de satélites e naves da Nasa coloridas e em HD, mas não pra ele em 1944), das fortes impressões sobre a existência de si mesmo em diferentes formas, e dos encontros com pessoas que lhe revelam respostas sobre a vida.
Segue o trecho.

Memórias, Sonhos e Reflexões
Carl Gustav Jung
“Um dia, após ser atendido com oxigênio, me vi fora do corpo e viajando pelo espaço, numa crescente subida, e abaixo de mim aparecia a Terra, o globo envolvido em esplêndida luz azul; e distinguia os continentes e o azul escuro do mar. Então, quis saber a que altura me encontrava, e fui informado que estava a 15OOkm. A visão da Terra de tal altura era a coisa mais maravilhosa que jamais tinha visto.”
Parece a mim que eu estava alto no espaço. Lá embaixo eu via o globo da Terra, banhado em uma gloriosa luz azul. Eu via o profundo mar azul e os continentes. Longe abaixo dos meus pés estava o Ceilão (atual Sri Lanka), e à distância acima de mim o subcontinente da Índia. Meu campo de visão não incluia a Terra inteira, mas sua forma global era claramente distinguível e suas linhas de contorno cintilavam com um brilho prateado através daquela maravilhosa luz azul. Em muitos lugares o globo parecia colorida, ou pintada de verde escuro como prata oxidada. Longe à esquerda esava um campo largo – o amarelo-avermelhado deserto da Arábia; era como se a prata da Terra tivesse assumido um tom vermelho-dourado. Então veio o Mar Vermelho, e longe, como se no topo esquerdo de um map – eu poderia quase ver um pedacinho do Mediterrâneo. Meu olhar foi direcionado fortemente para aquilo. Tudo o mais parecia indistinguível. Eu podia ver os Himalais cobertos em neve, mas naquela direção estava nebuloso e confuso. Eu não olhei para a direita. Eu sabia que estava no ponto de partir da Terra.
Mais tarde eu descobri o quão alto no espaço alguém tem que estar para ter uma visão tão extensa – aproximadamente mil milhas! A visão da Terra dessa altura era a coisa mais gloriosa que eu já havia visto.
Depois de contemplá-la por um tempo, eu me virei. Eu estava virado de costas para o Oceano Índico, como era, e meu rosto olhava o Norte. Então me aprece que eu havia feito a curva para o Sul. Algo novo entrou no meu campo de visão. Não muito longe eu vi no espaço um bloco negro gigante de pedra, como um meteorito. Era do tamanho da minha casa, ou maior. Estava flutuando no espaço e eu mesmo estava flutuando no espaço.
Eu tinha visto pedras parecidas na costa do Golgo de Bengala. Eram blocos de granito tawny, e alguns deles tinham sido escavados em templos. Minha pedra era um imenso bloco gigantesco e escuro. Uma entrada dava para uma pequena antecâmara. À direita da entrada, um hindu negro sentava em silêncio em postura de lótus sobre um banco de pedra. Ele usava um manto branco, e eu sabia que ele esperava por mim. Dois passos me levaram a essa antecâmara, e, no interior, à esquerda, estava o portão do templo. Inúmeros nichos pequenos, cada um com uma concavidade do tamanho de um pires preenchido com óleo de coco e pequenas mechas ardentes, cercavam a porta com uma grinalda de chamas brilhantes. Eu tinha visto isso uma vez, na verdade, quando visitei o Templo do Dente Santo em Kandy, no Ceilão (Sri Lanka), o portão tinha sido delineado por várias linhas de flâmulas de lâmpadas de óleo.
Quando me aproximei dos degraus que levam até a entrada na rocha, uma coisa estranha aconteceu: tive a sensação de que tudo estava sendo descartado, tudo eu que havia visto ou desejado ou pensado, toda a fantasmagoria da existência terrena, se desmanchava ou era desconectada de mim – um processo extremamente doloroso. Mas algo permaneceu, era como se eu agora levasse comigo tudo o que eu já havia feito ou experimentado, tudo o que tinha acontecido comigo. Eu também poderia dizer:  foi comigo, e eu era aquilo. Eu era tudo aquilo, vamos dizer assim. Eu era minha própria história e me senti, com grande certeza: é isso que eu sou. Eu sou esse pacote do que tem sido e do que foi realizado.
Esta experiência me deu uma sensação de extrema pobreza, mas ao mesmo tempo de grande plenitude. Não havia mais nada que eu quisesse ou desejasse. Eu existia de forma objetiva, eu era o que eu tinha sido e vivido. No início, a sensação de aniquilação predominou, de ter sido assaltado ou saqueado, mas, de repente, aquilo não teve nenhuma conseqüência.
Tudo parecia ter passado; o que restou foi um “fato consumado”, sem qualquer referência ao que tinha sido. Não havia mais qualquer arrependimento de que algo havia sido subtraído ou tirado. Pelo contrário: eu tinha tudo que eu era, e isso era tudo.
Algo mais prendeu minha atenção: enquanto me aproximava do templo, tive a certeza de que eu estava prestes a entrar numa sala iluminada e iria encontrar lá todas as pessoas a quem eu pertencia na realidade. Lá eu finalmente iria entender – e isso também era uma certeza – o sentido (nexo) histórico a que eu ou minha vida estávamos conectados. Eu iria saber o que tinha existido antes de mim, porque eu tinha vindo a ser, e para onde minha vida estava fluindo. Minha vida como a vivi muitas vezes me parecia uma história sem começo nem fim. Tinha a sensação de que eu era um fragmento histórico, um trecho que estava faltando ao texto anterior e ao posterior. Minha vida parecia ter sido tirada de uma longa cadeia de eventos, e muitas questões permaneciam sem resposta. Por que ela foi por esse caminho? Por que eu trouxe essas premissas particulares comigo? O que eu tinha feito delas? O que acontecerá a seguir? Eu tinha certeza que iria receber respostas para todas as perguntas assim que eu entrasse no templo de pedra. Lá eu iria encontrar as pessoas que sabiam a resposta à minha pergunta sobre o que tinha sido antes e o que viria depois.
Enquanto eu estava pensando sobre essas questões, aconteceu algo que me chamou a atenção. Vindo de baixo, da direção da Europa, uma imagem apareceu. Era do meu médico, ou melhor, uma semelhança dele – emoldurada por uma corrente de ouro ou uma coroa de louros dourada. Imediatamente eu soube: ‘Ah, esse é o meu médico, claro, o que tem me tratado. Mas agora ele está vindo em sua forma primitiva. Em vida ele foi um avatar da realização temporal da forma primitiva, que existe desde o princípio. Agora ele está aparecendo nessa forma primal’.
Presumivelmente, eu também estava em minha forma primitiva, embora isso era algo que eu não enxergava, mas simplesmente sabia. Com ele diante de mim, uma troca muda de pensamentos teve lugar entre nós. O médico havia sido delegado pela Terra para entregar uma mensagem para mim, para me dizer que havia um protesto contra a minha partida. Eu não tinha o direito de deixar a Terra e deveria retornar. No momento que ouvi isso, a visão cessou.
Eu estava profundamente desapontado, pois agora tudo parecia ter sido em vão. O doloroso processo de despreendimento tinha sido em vão, e eu não tinha permissão para entrar no templo, para me unir às pessoas a cuja companhia eu pertencia.
Na realidade, umas boas três semanas ainda se passariam antes que eu pudesse me convencer a viver novamente. Eu não podia comer, porque toda a comida me enojava. A vista da cidade e das montanhas do meu leito parecia uma cortina pintada com buracos negros, ou uma folha de jornal rasgado cheio de fotografias que não significavam nada. Desapontado, eu pensei: “Agora eu tenho que voltar para o “sistema de caixa” novamente.” Porque pareceu a mim como se por detrás do horizonte do cosmos um mundo tridimensional havia sido artificialmente construído, no qual cada pessoa sentava-se sozinha em uma pequena caixa. E agora eu teria que me convencer mais uma vez que isso era importante! A vida e o mundo inteiro me pareceram uma prisão, e isso me incomodou muito que eu deveria achar que aquilo estava tudo bem e em ordem. Eu tinha sido tão feliz largando tudo aquilo, e agora estava acontecendo o fato que eu – juntamente com todos os outros – seríamos novamente presos em uma caixa por um fio.
Senti uma resistência violenta pelo meu médico, porque ele havia me trazido de volta à vida. Ao mesmo tempo, eu estava preocupado com ele. “Sua vida está em perigo, pelo amor de Deus! Ele apareceu para mim em sua forma primitiva! Quando alguém atinge esta forma isso significa que ele vai morrer, pois ele já pertence à “empresa maior.” De repente, um pensamento terrível me apareceu de que o médico teria que morrer em meu lugar. Tentei o meu melhor para falar sobre isso com ele, mas ele não me entendeu. Depois fiquei com raiva dele.
Na verdade eu era o último paciente dele. Em 4 de abril de 1944 – ainda lembro a data exata em que me permitiram sentar-me na beira da minha cama, pela primeira vez desde o início da minha doença, e neste mesmo dia o médico ficou de cama e não saiu mais. Ouvi dizer que ele estava tendo crises intermitentes de febre. Logo depois ele morreu de septicemia. Era um bom médico, havia algo de genial nele. Se não fosse isso, ele não teria me aparecido como um avatar da personificação temporal de uma forma primitiva.”
Durante aquelas semanas vivi num ritmo estranho. De dia eu estava geralmente deprimido. Me sentia fraco e cansado, e raramente me levantava. Melancolicamente eu pensava, “Agora devo voltar para esse mundo monótono”. Quando chegava a noite eu dormia, e meu sono durava até meia-noite. Então eu acordava e passava uma hora acordada, mas num estado profundamente transformado. Era com se eu tivesse em um êxtase. Eu sentia como se tivesse flutuando no espaço, como se eu tivesse seguro no útero do universo – em um tremendo vazio, mas preenchido com o mais alto possível sentimento de felicidade. “Isso é a graça eterna”, pensei. “Isso não pode ser descrito, e é maravilhoso demais!”.

enviado por Ricardo
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